Paulo Whitaker/Reuters - 01/07/2017
Paulo Whitaker/Reuters - 01/07/2017

Petrobras confirma redução de gás natural da Bolívia e diz que terá aumentar importação

Estatal afirmou que vem recebendo volume 30% menor do que o previsto em contrato com a boliviana YPFB

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2022 | 17h53
Atualizado 24 de maio de 2022 | 11h18

RIO - A Petrobras terá que importar mais gás natural liquefeito (GNL) em meio à disparada do preço no mercado internacional.  Nesta segunda-feira, 23, a estatal confirmou que a boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) cortou em 30% o fornecimento do insumo, ou cerca de seis milhões de metros cúbicos por dia. A queda reduz o alívio sentido pela Petrobras no primeiro trimestre do ano, quando comemorou a redução de importação de GNL, e consequente queda nos custos, com o fim do uso intensivo das usinas termelétricas no País. 

“Tal redução da ordem de 30% não estava prevista e implica a necessidade de importação de volumes adicionais de Gás Natural Liquefeito (GNL) para atendimento aos compromissos de fornecimento da Petrobras", explicou a Petrobras em nota.  

Segundo a Petrobras, a YPFB ainda não explicou o motivo do corte. A petroleira brasileira informou que estão sendo tomadas todas as medidas cabíveis para que a YPFB cumpra o contrato que mantém com a empresa. Segundo fontes próximas ao assunto, o corte foi motivado pelo início do fornecimento de gás da Bolívia para a Argentina por preços melhores do que os praticados pela Petrobras.

A estatal brasileira assinou um novo contrato com a estatal boliviana em março de 2020, quando abriu mão de 10 milhões de metros cúbicos diários de gás para serem negociados com outras empresas no Brasil. A decisão se deveu à abertura do mercado brasileiro de gás, viabilizado pela Nova Lei do Gás, aprovada pelo Congresso Nacional em 2021. A renegociação do contrato fez parte de um acordo fechado pela Petrobras com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para quebra do monopólio do setor de gás, em julho de 2019.

Pelo novo contrato, assinado com a YPFB, os 30 milhões de metros cúbicos diários que eram fornecidos desde 1999, pelo gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), caíram para 20 milhões de metros cúbicos. Com o novo corte feito pela YPFB, estão sendo entregues apenas 14 milhões de metros cúbicos por dia à Petrobras.  

De acordo com o especialista em energia Luís Fernando Panelli,  ex-secretário-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia o preço do GNL disparou  no mercado internacional. Se na pandemia o milhão de BTU (medida usada na comercialização do insumo) era negociado a US$ 5, nesta segunda-feira  o preço girava em torno dos US$ 27 o milhão de BTU, depois de já ter batido US$ 34.

O alto preço do GNL reflete a grande demanda pelo insumo após cortes de fornecimento pela Rússia a alguns países europeus, ao mesmo tempo em que a oferta está restrita.  No primeiro trimestre do ano, a Petrobras teve lucro recorde para o trimestre de R$ 44,5 bilhões. Entre os pontos positivos apontados para o resultado estava a redução de compra de GNL para atender as usinas termelétricas do País, que bateram recorde de geração de energia no ano passado, por causa da pior crise hídrica dos últimos 91 anos.

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