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Petrobrás contraria expectativa e tem prejuízo de R$ 16,5 bilhões no 3º trimestre

No terceiro maior prejuízo trimestral de sua história, estatal fez 'limpeza' em seu balanço e identificou perdas em ativos e investimentos de R$ 15,7 bilhões

Fernanda Nunes, Mariana Durão, Vinicius Neder, Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2016 | 19h10

RIO e SÃO PAULO - Mudanças nas projeções para a cotação do dólar e do barril de petróleo levaram a Petrobrás a fazer uma "limpeza" em seu balanço financeiro. Com isso, a petroleira amargou um prejuízo de R$ 16,458 bilhões no terceiro trimestre, uma surpresa para analistas. O resultado negativo é mais que quatro vezes superior aos R$ 3,759 bilhões registrados no terceiro trimestre de 2015 e o terceiro maior prejuízo trimestral da história da petroleira.

O principal vilão dos resultados financeiros da Petrobrás no período foi uma baixa contábil (impairment) de R$ 15,709 bilhões. Baixas do tipo são feitas quando uma companhia calcula que não poderá recuperar o valor de ativos. Sem essa limpa no balanço financeiro, a companhia estima que teria tido lucro líquido em torno de R$ 600 milhões de julho a setembro.

 

 

 

A petroleira registrou ainda um prejuízo operacional de R$ 10,032 bilhões, revertendo, assim, lucro visto no mesmo período do ano passado (R$ 6,045 bilhões) e também o lucro observado no trimestre imediatamente anterior (R$ 7,184 bilhões). A receita de vendas somou R$ 70,443 bilhões no período, o que significa uma queda de 14,34% frente aos R$ 82,239 bilhões gerados no terceiro trimestre de 2015 e baixa de 1% comparado aos R$ 71,320 bilhões no intervalo de abril a junho.

"A Petrobrás não espera para os próximos trimestres que ocorram valores de imparidade no montante que estamos divulgando para esse trimestre", afirmou o diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro. Apesar do prejuízo, o executivo não descarta o pagamento de dividendos este ano. "Ainda temos um trimestre. Não temos como dizer se pagaremos ou não (dividendos)", disse.

O gerente executivo de controladoria da Petrobrás, Mario Jorge da Silva, diz que o aumento do risco do Brasil, com a perda do grau de investimento junto às agências classificadoras de risco, fez a revisão para baixo do preço de ativos, chamada de "taxa de desconto", ficar maior. Na comparação com o fim de 2015, o risco subiu 23%, informou Silva. "Os ativos foram testados a taxa de desconto mais elevada, o que reduz seu valor", explicou.

Segundo ele, o novo Plano de Negócios e Gestão, na versão 2017-2021, postergou alguns projetos, que acabaram entrando na baixa contábil do terceiro trimestre.

A companhia também teve uma perda bilionária na venda da Petrobrás Argentina (Pesa), concluída mês passado. A petroleira vendeu sua participação de 67,19% na subsidiária do país vizinho por US$ 897 milhões para a Pampa Energia, em operação concluída em julho, mas teve uma perda de R$ 3,627 bilhões "oriunda da depreciação cambial do peso argentino frente ao dólar".

Além disso, houve uma despesa de R$ 1,260 bilhão com o novo Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário, "pela maior adesão ocorrida nos meses de julho e agosto", segundo a Petrobrás.

A estatal também registrou perdas com provisões para gastos com acordos em ações judiciais na Corte Federal de Nova York (R$ 1,182 bilhão), para o adiantamento a fornecedores de cascos de plataformas (R$ 1,128 bilhão) e para assumir dívidas de fornecedores com subcontratadas pela construção de cascos de plataformas (R$ 931 milhões).

O prejuízo foi uma surpresa porque a média das projeções de seis instituições financeiras consultadas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real da Agência Estado, que apontava para lucro líquido de R$ 1,262 bilhão. As projeções variavam de um lucro de R$ 417 milhões, estimado pelo Credit Suisse, até R$ 2,222 bilhões, pelo Morgan Stanley.

Investimentos e dívida. Os investimentos da Petrobrás totalizaram R$ 12,260 bilhões no terceiro trimestre de 2016, o que representa um recuo de 36% ante os R$ 19,315 bilhões investidos entre junho e setembro de 2015 e de 9% em relação aos R$ 13,436 bilhões desembolsados no segundo trimestre de 2016.

A maior parte dos investimentos no terceiro trimestre do ano foi direcionada à área de Exploração e Produção (E&P), que recebeu R$ 10,400 bilhões, o equivalente a 84,82% do total. Na sequência apareceram os setores de Abastecimento, com aporte de R$ 1,240 bilhão (10,11%), Gás & Energia, com R$ 336 milhões (2,74%), Distribuição, com R$ 110 milhões (0,84%), Biocombustível, com R$ 23 milhões (0,18%), e Corporativo, com R$ 151 milhões (1,23%).

Em 30 de setembro de 2016, o endividamento bruto da petroleira atingiu R$ 398,165 bilhões, sendo R$ 37,101 bilhões de curto prazo e R$ 361,064 bilhões de longo prazo. O montante é 19,2% menor que os R$ 493,023 bilhões observados no fim do ano passado.

Como a Petrobrás fechou o terceiro trimestre com R$ 72,602 bilhões em caixa (incluindo títulos), a dívida líquida ao término de setembro de 2016 estava em R$ 325,563 bilhões. A cifra é 2% menor que o endividamento líquido de R$ 332,390 bilhões verificado em 30 de junho de 2016 e 19% inferior aos R$ 402,348 bilhões apurados em 30 de setembro de 2015.

A alavancagem líquida da Petrobrás, medida pela relação entre endividamento líquido e patrimônio líquido, fechou o terceiro trimestre em 55%, mesma marca verificada ao término de junho de 2016 e ante 65% em igual trimestre de 2015. No fim do ano passado a alavancagem medida por esse indicador estava em 60%.

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