Petrobrás corta até cartões de Natal

Redução de gastos poupa apenas a área de exploração e produção

Kelly Lima, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 00h00

Alinhada com outras empresas do setor e preocupada com a dificuldade de crédito para financiar seus investimentos, a Petrobrás adotou uma economia espartana, com corte radical em tudo o que pode ser considerado supérfluo. A redução de gastos será concentrada principalmente na área de abastecimento. Tudo para a blindar a área de exploração e produção, a principal da companhia.   Especialista comenta as perspectivas para o petróleo "Coisas mínimas foram cortadas, do pó de café aos cartões que seriam distribuídos aos fornecedores no Natal", diz uma fonte da área de Relações Públicas, que assim como outros assessores (imprensa, publicidade, marketing e outras áreas administrativas) teve suspensa sua linha no aparelho celular fornecido pela estatal. O aumento de custos da empresa foi muito criticado pelo mercado após a divulgação do balanço do terceiro trimestre, como um dos fatores que reduziram a geração de caixa no período.A empresa também cortou cursos para o pessoal admitido no mais recente concurso e suspendeu as bolsas de estudo para técnicos, engenheiros e executivos. "Tivemos de ligar para cada um dos fornecedores que haviam assinado contrato para realização de eventos, fornecimento de brindes ou da área publicitária. Tudo está parado", disse um profissional da área de marketing. O seminário Prominp, marcado para novembro no Nordeste, a um custo de R$ 1 milhão, foi cancelado. A Petrobrás era a principal patrocinadora. "Não há prazo determinado para que esses cortes durem. As regras são especialmente relativas a este 4º. trimestre e devem se estender aos primeiros meses de 2009", comentou o profissional da área de RH.Até o programa de patrocínio cultural da Petrobrás, que anualmente é divulgado em maio e este ano teria verba de R$ 42,5 milhões (metade dos anos anteriores), teve o recebimento das propostas adiado para novembro e agora para maio de 2009. Os vencedores só serão conhecidos em novembro. Ou seja, não haverá patrocínios por um ano. A situação deve dificultar também as negociações com o Flamengo, que recebe R$ 12 milhões anuais e pleiteava um reajuste. O processo começou pouco antes da divulgação do balanço, no qual a empresa teve lucro recorde de R$ 10,8 bilhões, mas um aumento de 40% nos custos que assustou analistas do mercado financeiro. Um dia antes da divulgação, o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, foi à rede interna de TV falar aos funcionários sobre contenção de despesas. Segundo fontes da empresa, a estratégia é blindar apenas os investimentos em exploração e produção, considerados prioridade da estatal. Como já afirmou o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, o objetivo no momento é se manter adimplente e priorizar os investimentos de retorno rápido.

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