Petrobras deixa de ganhar R$ 25 milhões por dia com defasagem

O reajuste anunciado hoje pela Petrobras faz com que a estatal reduza de R$ 30 milhões para R$ 25 milhões em média o que deixa de ganhar por dia devido à defasagem dos preços de seus principais derivados - gasolina e diesel - em relação ao mercado internacional.O cálculo foi feito pelo professor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de infra-estrutura (CBIE). Ele admite que o cálculo tem bases "grosseiras" e admite falhas, porque está se "norteando" apenas pelo mercado do golfo americano.A Petrobras por repetidas vezes informou ao mercado que o mercado do golfo americano não é utilizado como referência. A estatal diz que avalia os preços de uma cesta de óleos comercializada em vários mercados no mundo todo para calcular o seus preços.Segundo Pires, do CBIE, a estatal já teria deixado de ganhar desde agosto cerca de R$ 1 bilhão por não repassar a alta internacional do preço do barril para os seus preços internos. Além disso, lembra ele, a Petrobras teria "queimado" um colchão de R$ 2 bilhões formado no segundo semestre do ano passado, quando manteve os preços do diesel e da gasolina acima do cotado no mercado internacional. "Na prática são cerca de R$ 3 bilhões a menos no caixa da empresa", avaliou.DefasagemSegundo ele, a defasagem da gasolina é hoje de 18% com relação ao mercado internacional e do diesel é de 26%. Antes do anúncio do reajuste esta defasagem estava em respectivamente 21% e 30%. O cálculo da defasagem toma como base o barril de petróleo negociado no golfo americano ontem. "Isso significa que a defasagem já deve ter aumentado hoje, com a nova alta do barril", avaliou.Para Adriano Pires, é "imprescindível que a estatal faça um novo reajuste antes do final do ano". A expectativa é de que o novo reajuste fique pelo menos na casa dos 10%. "Na verdade vamos viver agora a espera do segundo turno do reajuste", disse o professor atrelando a decisão da estatal às eleições municipais.

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