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Petrobrás deixará de pagar participação nos lucros aos funcionários

Segundo a diretoria da estatal, PLR será incorporado a um novo programa de remuneração variável; último pagamento será feito em maio

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2019 | 11h22

RIO - A diretoria da Petrobrás anunciou aos empregados que não vai mais pagar participação no lucro (PLR) a partir de 2020. O benefício será incorporado a um novo programa de remuneração variável, que apenas será distribuído nos anos em que a empresa registrar lucro de pelo menos R$ 10 bilhões. As mudanças foram aprovadas pelo conselho de administração na semana passada e comunicadas aos funcionários via intranet, na última segunda-feira, 25.

"Alinhado ao Plano de Negócios e Gestão, o programa valorizará a meritocracia e trará flexibilidade para um cenário em que a empresa busca mais eficiência e alinhamento às melhores práticas de gestão", traz o comunicado interno ao qual o Estado/Broadcast teve acesso.

Com essa medida, a empresa encerrou unilateralmente a negociação que mantinha com sindicatos desde o ano passado. Num primeiro momento, ainda no governo de Michel Temer e presidência de Ivan Monteiro, a petroleira tentava condicionar o pagamento da PLR ao alcance de metas financeiras. A intenção era que, em anos de prejuízo ou quando o endividamento estivesse muito elevado, o benefício não fosse distribuído.

Até então, o PLR era calculado a partir de métricas operacionais. Se as metas das principais áreas fossem atingidas, os funcionários eram remunerados, independentemente do resultado financeiro alcançado no ano. O argumento dos sindicatos para defender esse modelo sempre foi que o pessoal de chão de fábrica não possui ingerência sobre questões financeiras e, por isso, não poderia ser penalizado por métricas que dizem respeito ao caixa da empresa.

Sem chegar a um acordo com os representantes dos empregados, a nova diretoria optou por extinguir o PLR e, num passo mais adiante de valorização das finanças no direcionamento da companhia, definiu que qualquer ganho adicional só virá quando o lucro superar a marca de R$ 10 bilhões.

“Apesar dos esforços da Petrobrás para fechar a negociação sobre os novos indicadores da PLR até 31 de dezembro de 2018, não houve acordo com as entidades sindicais, impossibilitando o pagamento de qualquer valor a título de PLR”, informou a empresa, por meio de sua assessoria de imprensa.

A petroleira diz ainda que para “reconhecer a contribuição dos empregados para os resultados, concentrou todos os pagamentos de remuneração variável no Programa de Prêmio por Performance. Esse programa permitirá maior remuneração para pessoas com desempenho destacado”, complementou.

A partir de 2020, a empresa vai considerar três fatores para definir o pagamento da remuneração variável – um diz respeito às métricas de topo do plano de negócios, válido para todos os empregados; outro é referente ao desempenho de cada uma das áreas; e um terceiro, individual, depende de uma negociação direta entre gestores e funcionários.

O último PLR vai ser pago em maio deste ano, após aprovação dos acionistas em assembleia geral, marcada para 25 de abril. O pagamento, na verdade, será um complemento a uma antecipação que entrou na conta dos funcionários ainda em 2018.

O presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, afirmou que a entidade ainda avalia como se posicionará frente ao anúncio.

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