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Petrobras: demanda por gás tem leve recuperação

A demanda por gás no Brasil teve uma "leve recuperação no mês de março", segundo disse hoje a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster. O consumo no País, que atingiu ontem 46,2 milhões de metros cúbicos por dia, está 21,8% menor do que no mesmo período no ano passado.

KELLY LIMA, Agencia Estado

17 de março de 2009 | 18h17

Na área industrial, principal ponto de "preocupação", segundo a diretora, o consumo está 6,7 milhões de metros cúbicos menor do que no mesmo período em 2008. Em janeiro, esta diferença havia sido de 8,7 milhões de metros cúbicos diários e em fevereiro caiu para 7,5 milhões de metros cúbicos. Já o consumo térmico, que em janeiro e fevereiro teve uma média de 5 milhões de metros cúbicos, superou os 8 milhões de metros cúbicos nos primeiros dias de março, volume equivalente à metade da média registrada em 2008.

"O mercado térmico, nós sabemos que vamos recuperar a qualquer momento, mas o não-térmico, nós torcemos para que haja recuperação em breve", disse. A diretora diz que apenas parte da queda pode ser atribuída à crise financeira. Segundo ela, pelo menos três milhões de metros cúbicos diários deixaram de ser consumidos porque as indústrias substituíram o gás por óleo combustível.

Isso ocorreu porque o óleo combustível tem impacto mais rápido em seu preço com a queda do barril do petróleo. Com exceção de São Paulo - que consome mais gás importado e tem reajuste anual - a maioria dos Estados do País consome o gás natural nacional, que é reajustado a cada três meses e não mensalmente como o óleo combustível. Além disso, o porcentual de reajuste do gás leva em consideração a referência do preço médio de uma cesta de óleos nos seis meses anteriores.

"Em abril certamente teremos uma inversão e o gás vai voltar a ser mais barato de que o óleo combustível", afirmou Graça Foster, lembrando que o reajuste ocorre no próximo dia 1º de abril. Hoje, de acordo com dados da Petrobras, o óleo combustível está custando US$ 5,77 por milhão de BTU (unidade térmica britânica, na sigla em inglês) ante US$ 6,6 por milhão de BTU do gás natural.

A diretora ainda destacou o "fato interessante" de as indústrias terem aproveitado para usar o óleo combustível em um período em que este esteve mais barato, apesar de terem, no passado, apresentado barreiras para fazer a mesma conversão num momento em que a Petrobras precisava retirar o gás do mercado para abastecer usinas térmicas.

"Ficamos muito felizes de ver que estas indústrias, que antes se negaram a fazer a conversão, superaram as barreiras ambientais e correram atrás de obter licenças para a utilização deste combustível em substituição ao gás quando isso se tornou vantajoso. A vida é uma escola. E na próxima vez que precisarmos destinar mais gás para as térmicas, não haverá mais este tipo de barreira", comentou.

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