Petrobras desaba e leva Bovespa a queda de 4,54%

No ano, índice já acumula queda de 46,63%; dólar fecha em alta de 2,11%, cotado a R$ 2,325

Claudia Violante, da Agência Estado,

18 de novembro de 2008 | 19h10

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve um pregão de perdas acentuadas, sem uma única - e boa - razão que as explicassem. Petrobras, Vale, siderúrgicas e bancos guiaram as vendas, sendo parcela importante por parte de investidores estrangeiros. Apesar disso, o giro foi fraco, como tem acontecido nestes tempos de crise. Wall Street trabalhou em alta em boa parte do dia e ajudou a minimizar - muito ligeiramente - as perdas aqui. Quando lá virou para baixo, ao redor das 16 horas, a Bovespa renovou as mínimas do dia.  Veja também:Petrobras diz que deve postergar projetos por causa da criseDe olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise   No final, o Ibovespa fechou em baixa de 4,54%, aos 34.094,66 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 33.882 pontos (-5,14%) e a máxima de 35.698 pontos (-0,05%). No mês, a queda acumulada atinge 8,49% e, no ano, 46,63%. O giro financeiro segue fraco e totalizou R$ 3,206 bilhões. Os dados são preliminares. Às 18h15, o Dow Jones perdia 0,85%, o S&P 1,60%, e o Nasdaq, 2,43%. O que levou à inversão do rumo foi o indicador divulgado pela Associação Nacional das Construtoras (NAHB, na sigla em inglês). O índice de vendas de novas casas caiu para 9 em novembro, recorde. Em outubro, o nível recorde anterior, o indicador era de 14.  Até então, as compras predominavam, influenciadas por notícias com empresas como HP, Home Depot e Yahoo!. A varejista de produtos para reforma e decoração Home Depot, por exemplo, anunciou lucro líquido do terceiro trimestre fiscal de US$ 756 milhões ou US$ 0,45 por ação, acima da previsão de US$ 0,38 por ação dos analistas. Os papéis do Yahoo! foram beneficiados pela renúncia do diretor-executivo, Jerry Yang, interpretada como um sinal de insatisfação do conselho da empresa com o desempenho e administração da companhia e de que está preparado para avaliar possíveis acordos. Já a HP anunciou expectativas de resultados mais fortes do que as esperadas pelos analistas para o atual trimestre fiscal.  Assim, até então, o mercado não vinha dando muita bola para as declarações do secretário do Tesouro, Henry Paulson, de que é "ilusório" esperar que o pacote de US$ 700 bilhões reverta os prejuízos à economia provocados pela crise financeira. Ele ainda havia rejeitado a necessidade de usar recursos do fundo de resgate para ajudar os mutuários, dizendo que os programas imobiliários existentes são suficientes. Mas quando as ordens de vendas passaram a predominar, até essas informações entraram na conta.  No Brasil, os investidores continuam pouco estimulados a irem às compras. E, para ajudar, os estrangeiros parecem estar animados a sair. Essa foi ao menos a explicação do analista da Alpes Corretora Fausto Gouveia. Já para Raffi Dokuzian, superintendente na corretora Banif, Petrobras foi uma das principais motivadoras da queda de hoje. Principalmente diante de um pregão de giro fraco.  Como o volume de recursos movimentado diariamente na Bovespa tem se mantido baixo, qualquer negócio tem uma participação muito mais forte na movimentação do índice. E quando esse negócio é com a blue chip Petrobras, que detém sozinha mais de 15% de participação no Ibovespa, o impacto no índice é muito maior.  Hoje, as ações da estatal vinham operando em queda, influenciadas pela baixa do petróleo no mercado externo. E as perdas foram ampliadas à tarde, depois que um gerente da empresa disse que os planos de investimentos podem ser adiados por causa da crise. As ações ON da empresa recuaram 7,02% e as PN, 5,87%. Na Nymex, o contrato para dezembro da commodity terminou em baixa de 1,02%, a US$ 54,39. Vale, outra blue chip, também caiu: ON, -4,31%, PNA, -4,77%. As siderúrgicas acompanharam. Usiminas PNA, -1,34%, Gerdau PN, -5,8%, Metalúrgica Gerdau PN, -7,26%, CSN ON, -6,82%.  No setor financeiro, o noticiário de corte de pessoal - ontem, o Citigroup, no anúncio mais expressivo, disse que a redução seria de mais de 50 mil vagas - pesa sobre as ações, assim como as dificuldades financeiras das instituições. Bradesco PN, -7,37%, Itaú PN, -7,64%, Banco do Brasil ON, -4,96%, Unibanco unit, -7,72%, e Nossa Caixa ON, -2,39%. Dólar O dólar fechou em alta nesta terça-feira, apesar das atuações do Banco Central, seguindo o pessimismo global diante das evidências de recessão. A moeda norte-americana subiu 2,11%, a R$ 2,325. Em meio à forte volatilidade do mercado nas últimas semanas, o dólar acumula alta de 7,6% no mês e de mais de 30% no ano.  "O sentimento continua pessimista", afirmou Luis Piason, gerente de operações de câmbio da Corretora Concórdia. "O panorama continua nublado, e temos pressão de saída (de recursos)... independentemente dos mercados lá de fora."  Segundo Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, as condições de crédito em moeda estrangeira, principalmente para exportadores, estão melhorando. "Mas, por outro lado, a parte de bolsas continua muito frágil." "A cada balanço (corporativo ruim) que se publica, não adianta, é investidor externo vendendo aqui para socorrer seu caixa lá fora", afirmou Arruda.  Nesta sessão, o Banco Central realizou três operações no mercado de câmbio. Na primeira, vendeu 1,155 bilhão de dólares em leilão voltado para incentivar o financiamento às exportações.  Segundo os gerentes, esses leilões têm ajudado a levar a liquidez onde é necessário, evitando um empoçamento dos recursos nas instituições financeiras. O BC realizou ainda dois leilões de swap cambial tradicional, negociando um total equivalente a quase 1,8 bilhão de dólares. Na véspera, o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que as atuações no mercado de câmbio somavam 46 bilhões de dólares de meados de setembro até a última sexta-feira.

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