Petrobrás desautoriza estimativa da ANP

Segundo diretor da estatal, números citados por Lima não são técnicos

Gerusa Marques e Ribamar Oliveira, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2008 | 00h00

O diretor de Exploração da Petrobrás Guilherme Estrella desautorizou ontem a estimativa de 33 bilhões de barris de petróleo no campo Pão de Açúcar, por não ter ''base técnica''. Segundo Estrella ''só talvez daqui a três meses seja possível para a Petrobrás fazer as primeiras estimativas do campo'', disse.A estimativa preocupou a estatal brasileira porque o diretor da Agência Nacional de Petróleo, Haroldo Lima, citou o número num fórum empresarial, atribuindo-o a informações publicadas pela imprensa nacional e estrangeira. Mas Lima falou também em "dados preliminares que nos foram fornecidos pelas empresas".''Não tem nada de técnico nessas estimativas e a Petrobrás trabalha com dados técnicos e estimativas concretas sobre o potencial de Pão de Açúcar'', afirmou Estrella. "Estamos preparados para testar o poço e, somente após o teste, após a interpretação das curvas de produção, e depois da correção dessas curvas com as informações litológicas (sobre as rochas) que temos do reservatório, poderemos começar a pensar nas estimativas dos volumes", afirmou Estrella.Durante a audiência na CAE, o senador Renato Casagrande (PSB-ES) quis saber se o campo Pão de Açúcar tinha mesmo reservas de 33 bilhões de barris de petróleo. "Foi a notícia que apareceu nos jornais", respondeu o diretor da Petrobrás, numa referência à revista americana World Oil que, em sua edição de fevereiro, trouxe essas informações (ver versão online).Segundo o diretor da Petrobrás, as informações da World Oil não podem ser consideradas um dado importante porque são apenas um "palpite" de uma revista. "Nós não levamos isso em consideração. Isso não é dado importante para nós." Estrella não quis fazer comentários diretos em relação às declarações de Haroldo Lima, que, no dia anterior, citou a mesma projeção da World Oil para o campo de Pão de Açúcar, ao falar, em seminário da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio, sobre as perspectivas de exploração e produção de petróleo no Brasil. "Eu sou diretor de uma operadora de petróleo e não posso julgar as atitudes do diretor geral da ANP."Os dados apresentados ontem por Guilherme Estrella aos senadores mostraram que a Petrobrás entregará 71,1 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural no fim de 2010. Esse volume corresponde ao dobro do que hoje é comprado pelo Brasil da Bolívia.Esse expressivo aumento da oferta resultará do Plano de Antecipação da Produção de Gás (Plangás). Ao final de 2007, a Petrobrás entregou 24,7 milhões de metros cúbicos de gás natural/dia. A produção prevista para o fim de 2010 representará um incremento de 188% em relação ao ano passado.Estrella informou, ainda, que em 2015 a Petrobrás produzirá cerca de 500 mil barris de petróleo/dia a mais do que o consumo do Brasil. As atuais reservas brasileiras, disse o diretor, estão em torno de 14 bilhões de barris.

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