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Petrobrás descarta autossuficiência na produção de GLP

Presidente da companhia diz que nem o pré-sal atenderá o crescimento da demanda do combustível

Kelly Lima, da Agência Estado,

08 de outubro de 2009 | 14h44

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, descartou nesta quinta-feira, 8, que o Brasil possa atingir autossuficiência na produção de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) no curto e no longo prazo. "Nem mesmo a produção do pré-sal poderá atender ao crescimento da demanda. Vamos continuar importando", disse Gabrielli em evento do setor, que está acontecendo nesta quinta-feira no Rio.

 

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Atualmente o Brasil consome seis milhões de toneladas de GLP por ano, e importa entre 18% e 20% deste volume. "É uma questão físico-química. Não é possível extrair o GLP na proporção desejada", afirmou em entrevista coletiva realizada há pouco.

 

Gabrielli ressaltou em sua apresentação no evento que a demanda mundial de GLP está muito concentrada na América do Norte e na Ásia, que consomem 62 milhões e 72 milhões de toneladas respectivamente. Na América Latina, responsável por 28,1 milhões de toneladas anuais, o Brasil representa 24,3%. "O principal consumo do GLP no Brasil está concentrado no segmento residencial", lembrou Gabrielli, destacando que os botijões tem seus preços mantidos desde 2003, independentemente das oscilações do mercado internacional. "Ora ganhamos, ora perdemos", disse. Segundo ele, atualmente os preços domésticos do GLP estão equiparados aos do internacional.

 

Segundo o executivo, a autossuficiência também será impossível de ser alcançada por conta da capacidade de processamento das refinarias. Hoje, a capacidade de refino dirigida ao GLP é de 215 mil barris por dia. Com a entrada das cinco novas refinarias previstas para até 2020, o acréscimo nesta capacidade será pouco, elevando o volume para 257 mil barris por dia. "Vamos priorizar a produção de GLP e diesel nestas novas unidades, porque estes são os produtos em que ainda temos déficit. Mas não podemos fazer mágica. Não dá para alterar a composição do óleo a ser processado", disse.

 

Gabrielli também afirmou que a substituição do uso de GLP nas residências por gás natural deverá ser crescente e constante nos próximos anos. "Temos projetado um crescimento da ordem de 1,7% ao ano para o consumo de GLP e de 5,4% anual na demanda de gás natural", disse.

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