Petrobrás descarta novas refinarias

Plano de negócios prevê apenas as duas 'Premium' no Maranhão e no Ceará; segunda unidade de refino do Comperj não é mencionada

RIO, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2014 | 02h10

A Petrobrás não prevê a construção de nenhuma outra refinaria além da Premium I (Maranhão) e Premium II (Ceará), dois dos projetos de investimento mais caros em curso no País, incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Já a segunda unidade de refino do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj) - com quase o dobro de capacidade da primeira - não recebeu, pela primeira vez, nenhuma menção no plano de negócios da estatal.

"Não tem previsão, nem de longe, que se possa pensar em outra refinaria além das duas que estão em licitação", disse a presidente da Petrobrás, Graça Foster.

A primeira unidade do Comperj (165 mil barris/dia) está com cinco anos de atraso e teve seu projeto multiplicado em várias vezes. Já consumiu US$ 13,5 bilhões e só ficará pronta em agosto de 2016. A segunda (300 mil barris/dia) seria para 2018.

A diretoria da estatal deixou claro ontem que a meta é apenas atingir o equilíbrio entre demanda e oferta no mercado de combustíveis - o que só acontecerá em 2020 - e sem exportações em vista. "Não vamos fazer mais refino para exportar porque não é negócio", disse o diretor de Abastecimento da estatal, José Carlos Cosenza.

A área de Abastecimento, na qual se inserem as refinarias, teve a maior redução nos investimentos do Plano de Negócios 2013-2017 para o 2014-2018: queda de 40%, para US$ 38,7 bilhões. "Lemos como positiva a redução gradual dos investimentos em refinarias no plano total de investimentos", escreveram os analistas do banco Goldman Sachs, em relatório divulgado ontem.

Os projetos das duas refinarias no Nordeste, suspensas em 2012 para revisão por estarem caras demais, ganharam importância no Plano de Negócios 2014-2018, com previsão de licitação em abril. Mas na prática pouco mudou. As duas ainda não estão com os investimentos 100% garantidos.

Graça repetiu algumas vezes que as refinarias só sairão do papel se os projetos "atenderem as métricas internacionais" de custos e prazos. As refinarias, disse, não serão feitas "de qualquer jeito". "Faremos se atenderem aos nossos princípios de rentabilidade."

Para reduzir a necessidade de investimento, Graça também reafirmou a intenção de buscar sócios para os empreendimentos. As petroleiras chinesas saem na frente. "Há parceiras chegando, fazendo propostas, mas não está fechado. Tem empresa chinesa, sim", disse ela.

Mesmo sem prever novos projetos, a Petrobrás estima em seu planejamento estratégico que a capacidade de processamento das refinarias atingirá 3,9 milhões de barris/dia em 2030. Em 2020, está prevista a autossuficiência em derivados, quando a capacidade de refino será equivalente à demanda interna.

As projeções consideram crescimento médio da demanda por combustíveis e derivados de 2,7% ao ano de 2013 a 2020 e de 2,3% ao ano de 2020 a 2030. Além disso, levam em conta um aumento da eficiência no processamento.

Segundo Cosenza, isso será feito sem ampliar custos. Na Rnest, por exemplo, leva-se em conta o fato de a origem do petróleo processado ter mudado: inicialmente a refinaria processaria petróleo da Venezuela, mas a sociedade com a estatal PDVSA não se concretizou.   (Sabrina Valle, Mariana Sallowicz e Vinicius Neder)

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