Petrobras descarta novos investimentos na Bolívia

A Petrobras suspendeu qualquer chance de investimento na Bolívia, disse nesta quarta-feira o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. "Não é uma questão de represália, mas sim de condições econômicas oferecidas pelo governo boliviano após este ato soberano, pensado e amadurecido. Ficou inviável fazer novos investimentos em troca de uma margem de 18%", disse.Segundo o presidente da estatal, existem intenções de antecipar planos de desenvolvimento de produção no Brasil e mesmo de plantas de regaseificação para recebimento do GNL (Gás Natural Liquefeito), que poderiam suprir o déficit futuro de gás natural no País. Até então, a estatal esperava cobrir com um aumento de importação da Bolívia. "Mas não há como pensar em produzir na Bacia de Santos antes de 2008 ou mesmo de instalar esta planta de regaseificação no País num prazo inferior a dois anos. É como uma gestação. Não é possível antecipar o nascimento da criança". Elevação do custoSegundo o diretor de Gás e Energia da estatal, Ildo Sauer, a utilização do GNL, entretanto, elevaria o custo do combustível no Brasil. "Mas é melhor termos uma planta deste tipo que é ativada a um custo elevado momentaneamente, apenas para abastecer usinas termelétricas, do que manter um custo fixo mais baixo para atender a usinas que dificilmente são acionadas", disse Sauer. SeguroGabrielli confirmou ainda que a empresa não tem seguro contra risco político na Bolívia. "Não temos, mas há um tratado de garantia de investimentos entre a Bolívia e a Holanda", disse. A Petrobras Bolívia é gerida por uma subsidiária holandesa (Petrobras Nederland, que cuida dos ativos da empresa no exterior). Por isso, a Holanda poderá ser um foro de arbitragem a ser acionado no caso dos contratos de produção e exploração de gás da estatal no país vizinho. Esses contratos estão protegidos, segundo Gabrielli, por um Tratado de Proteção de Investimentos entre a Bolívia e a Holanda. O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse que a empresa não tem seguro contra risco político em nenhum dos países nos quais atua porque isso inviabilizaria os investimentos. Segundo ele, esses seguros teriam um custo de 2% a 3% do total investido.

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