Petrobrás descobre óleo leve em águas rasas

Reserva na Bacia de Santos tem potencial para mais de 12 mil barris por dia

Kelly Lima, RIO, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2008 | 00h00

A Petrobrás anunciou ontem uma descoberta na Bacia de Santos, desta vez em águas rasas e acima da camada de sal. A grande vantagem é que foi identificado um tipo de óleo leve e com elevado potencial de produção. O volume de reservas não foi revelado pela estatal.Em El Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse "estar muito feliz" com a notícia. "Acho que Deus resolveu passar no Brasil e ficar. Não foi embora", comemorou Lula, acrescentando que "isso é uma coisa importante para nós".Segundo a empresa, o óleo encontrado no local possui 36 graus API, sigla que identifica a classificação da qualidade do óleo - quanto mais próximo de 50, maior o valor do óleo. No Brasil, a média durante anos foi de um óleo pesado, entre 18 e 20 graus API. Na área pré-sal, o óleo tem em torno de 28 graus.O bloco BM-S-40, em que a nova reserva foi identificada, está a 275 quilômetros da costa do Estado de São Paulo. A Petrobrás detém 100% da área. O óleo está numa profundidade de 235 metros. A descoberta foi confirmada com a produção de petróleo em reservatórios a 2.080 metros de profundidade. Além da leveza do óleo, o teste no local comprovou as altas vazões esperadas para o tipo de reservatório, com um potencial de produção, por poço, estimado em mais de 12 mil barris por dia. Isso indica um elevado potencial de produção, segundo o geólogo Giuseppe Bacoccolli, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O máximo já produzido no País num único poço são 20 mil barris por dia. Segundo Bacoccolli, o ritmo de vazão no campo de Marlim, o maior em produção hoje no País, é de 10 mil barris diários, com a diferença de que lá o óleo é pesado (18 graus API) ante um óleo leve (36 graus API) na nova descoberta. O geólogo também lembrou que na área de Tupi - a megarreserva da área do pré-sal, na qual a Petrobrás identificou de 5 a 8 bilhões de barris - a vazão do primeiro poço era de 6 mil barris diários. "Isso não significa que essa descoberta tem uma reserva maior, mas sim que poderá produzir até mais do que Tupi, porém em prazo menor." Segundo a assessoria de imprensa da estatal, a Petrobrás dará continuidade à exploração do bloco BM-S-40, conforme contrato de concessão, com a perfuração de novo poço com o mesmo objetivo e início previsto para junho. A área havia sido concedida na 5ª Rodada da Agência Nacional de Petróleo em 2003. COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

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