Petrobras deve construir refinaria de grande porte no País

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, confirmou nesta segunda-feira a intenção da empresa de construir uma refinaria de grande porte no País, com capacidade para processar 500 mil barris de petróleo por dia a partir de 2014. A informação havia sido revelada pelo diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, em entrevista na semana passada, mas ainda não consta no plano estratégico da Petrobras.Segundo Gabrielli, ela só será pensada a partir de 2010, quando será definido o local da instalação. "Até lá, temos que nos concentrar em outros negócios", disse o executivo, provavelmente se referindo a outras duas unidades de refino que a estatal planeja para o Brasil, sendo uma em parceria com a PDVSA no Estado de Pernambuco, e outra em parceria com o grupo Ultra, no Rio de Janeiro.Costa explicou que a nova refinaria terá como modelo um padrão de refinarias de grande porte, hoje existente na Índia. O diretor, que visitou aquele país recentemente em busca desta tecnologia, disse que a unidade brasileira será a maior existente no Brasil. Hoje a maior unidade no mundo está na Índia, com capacidade para 600 mil barris por dia, e com projetos para dobrar esta produção nos próximos anos para 1,2 bilhão de barris diários.A unidade, segundo ele, vai atender as perspectivas da Petrobras de exportar derivados na próxima década, a partir do aumento de sua produção interna. Ele considerou que a nova planta de refino não deverá processar apenas óleo pesado, a exemplo do que deve ocorrer com o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que vai voltar sua produção para matérias-primas para a indústria petroquímica."Temos excelentes descobertas na Bacia de Santos, que podem ser processadas nesta nova planta, por exemplo", considerou Costa, se esquivando de responder a jornalistas sobre qual a origem do óleo a ser processado na unidade. Em entrevista após participar de evento promovido pelo Ibef no Rio, o diretor também não quis especular sobre possíveis locais para a instalação desta nova refinaria. "Isso só deverá ser estudado a partir de 2010", afirmou, lembrando que outra particularidade da refinaria indiana, e que deve ser copiada pelo Brasil, é que ele foi construída em prazos recordes.Costa também discordou dos valores que vem sendo apontados pelo mercado como necessários para serem investidos nesta unidade, em torno de US$ 5 bilhões. "As pessoas estão fazendo contas óbvias, considerando que, se para a unidade de Pernambuco, que vamos construir com a PDVSA, serão necessários US$ 2 bilhões, seriam US$ 5 bilhões para esta planta. Mas se esquecem de pensar que esta unidade estará bastante avançada tecnologicamente e será voltada para o mercado europeu e norte-americano de combustíveis de alta qualidade", comentou.Na semana passada, o secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Estado do Rio de Janeiro, Wagner Victer, estimou que a unidade demandaria investimentos de US$ 7 bilhões.Liderança Ainda, segundo o diretor, a Petrobras quer conquistar a liderança no processamento de biodiesel no País nos próximos dois anos, saltando sua produção atual de 50 milhões de litros anuais para 800 milhões de litros.Segundo ele, por enquanto além de uma planta já operando, a estatal tem programadas para até o final deste ano apenas mais três novas plantas, de 50 milhões de litros cada uma. As demais, disse, serão de maior porte, mas ainda não foram programadas e suas localizações também estão sendo estudadas. Os investimentos de US$ 40 milhões em cada uma das três primeiras unidades, mas este valor deve se elevar na proporção do aumento da capacidade das demais plantas a serem instaladas.Aquecimento e gastos Gabrielli afirmou ainda que o aquecimento do setor de perfuração de poços de petróleo no mundo todo deve fazer com que a companhia dobre seus gastos com sondas e equipamentos voltados para este segmento em 2006. A perspectiva é de que estes gastos atinjam US$ 7 bilhões este ano, ou cerca de 80% do volume estimado de custos do setor de Exploração e Produção de Petróleo.Segundo o executivo, os custos só não serão maiores porque desde o ano passado, a empresa vem adotando uma estratégia de antecipar a renovação de contratos que estavam por vencer até 2008 e ainda prorrogá-los por um prazo mais longo. "Com o aumento de custos que estamos verificando no mercado internacional ao longo do tempo, percebemos que nossa estratégia se mostrou extremamente eficiente", comentou.A estimativa de gastos foi feita por Gabrielli durante entrevista coletiva realizada após a assinatura de contratos para a construção de seis sondas de perfuração, que a Petrobras vai afretar durante cinco anos, a partir de 2009, no valor total de R$ 10,5 bilhões.As sondas serão construídas por quatro empresas brasileiras - Odebrecht, Petroserv, Queiroz Galvão e Schahin - devendo gerar em torno de 200 empregos diretos por unidade durante sua operação.Por se tratar de uma negociação para afretamento, a Petrobras apenas impôs que 90% da tripulação a operar a sonda seja formada por profissionais nacionais. A construção ficará a cargo das companhias contratadas, não havendo qualquer empecilho para que sejam feitas fora do País."Sabemos que os estaleiros nacionais estão abarrotados com obras dos petroleiros e também de outras plataformas da Petrobras. Não podemos impor qualquer condição na construção por se tratarem de unidades afretadas. Mas podemos garantir que serão operadas por tripulação nacional, gerando empregos no Brasil e contribuindo para aumentar a oferta deste tipo de equipamentos no mercado mundial", explicou o presidente da Petrobras.Valor O executivo não quis comentar qual o valor médio da diária das unidades, mas revelou que elas saíram para a estatal por um custo 20% menor do que no mercado internacional. "O Brasil tem uma particularidade que é a concentração de unidades em uma área concentrada, apesar de distante dos grandes centros que são o Golfo do México e o Mar do Norte. Isso ofereceu à Petrobras condições de negociar bem os custos destas plataformas", disse.Segundo ele, a empresa prepara a encomenda internacional para construção de uma sonda que será afretada pela Petrobras para atuar em seus campos no Golfo do México e possivelmente na Colômbia. Ele não revelou maiores detalhes por conta de um acordo de confidencialidade com a coreana Samsung.Outra encomenda, desta vez no Brasil, deverá ser licitada no segundo semestre deste ano, para a construção de uma sonda própria para a Petrobras. Hoje a empresa possui apenas quatro sondas próprias e 23 afretadas. Além das seis assinadas hoje, outras três também estão em fase de conclusão da negociação para novos afretamentos.

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