Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Petrobrás deve extinguir unidades de negócios

Plano de reestruturação em estudos prevê também o fim de algumas gerências; estatal já havia reduzido a autonomia dos diretores executivos

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2015 | 21h38

RIO - A Petrobrás deve extinguir gerências e áreas de negócios, além de reduzir a autonomia da diretoria executiva, na ampla reestruturação que está em discussão no grupo. A previsão é que uma estrutura organizacional seja apresentada aos conselheiros na próxima reunião de colegiado, prevista para o dia 23 de junho. 

Na ocasião, também serão discutidas as premissas do novo plano de negócios da estatal - passo mais aguardado para a definição das estratégias e prioridades da companhia em tempos de restrição financeira. 

Os investimentos previstos no plano deve ficar em torno de US$ 140 bilhões entre 2015 e 2019, um volume 33% menor que o previsto no plano anterior, de US$ 206 bilhões. Além dos cortes, a companhia poderá dar mais sinais ao mercado sobre a dimensão da empresa no futuro, com informações sobre a estrutura de gestão, venda de ativos, as metas de produção e de redução da alavancagem para o período - dita prioridade da atual gestão. 

O plano deve apontar as áreas de negócio prioritárias para um grupo com menor condição financeira. Consequentemente, indicará quais áreas serão preteridas na estratégia - pelas sinalizações já feitas pela diretoria, Exploração e Produção (E&P) deve se sobrepor às demais áreas, como a de Gás. 

Após a definição de orçamento e estratégias, a estatal passará para a reorganização das estruturas administrativas, de cargos e gerências. No mercado, especula-se que os modelos em estudos vão desde a redução do número de diretorias, com a recomposição das áreas de negócio, até à criação de uma estrutura de vice-presidência, como a do Banco do Brasil. 

Níveis. “A estrutura de gestão será toda revisada, como novos níveis de alçada das diretorias e gerências executivas. Isso só será conhecido na próxima reunião”, diz uma fonte próxima às discussões. 

Um exemplo da reestruturação já em curso é a da área internacional. Umas das diretorias com contratos investigados pela Operação Lava Jato, a área foi extinta em janeiro, para criação da diretoria de governança.

Agora, com a companhia se desfazendo de ativos no exterior e focada no pré-sal brasileiro, as três gerências executivas do setor também estão na mira de cortes, e devem ser reunidas em uma única estrutura, respondendo à diretoria de E&P. 

A Petrobrás deu início às mudanças, na última terça, ao propor a redução das atribuições da diretoria. Agora, os executivos não poderão mais aprovar a formação de sociedades e joint ventures no País ou no exterior. Também não poderão autorizar a compra de navios, sondas e plataformas, firmar convênios com diferentes esferas do governo e alienar ativos. 

A retirada de autonomia é tida como uma resposta aos desvios praticados por ex-diretores e um esforço para melhorar a governança “A Petrobrás está caminhando em boa direção, mas não há certeza se as medidas serão efetivas e se terão continuidade”, disse a superintendente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Heloísa Bedicks. Recentemente, o instituto suspendeu a companhia de sua relação de membros associados.

A executiva, entretanto, faz críticas à proposta de criação do cargo de conselheiros suplentes. “Os suplentes não são satisfatoriamente familiarizados com a gestão da empresa. É preciso entender o porquê da necessidade de suplentes na estatal”, disse.

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