Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Petrobrás deve ganhar R$ 2,9 bi por mês com defasagem no combustível

Ganho se deve à diferença dos preços da gasolina e do diesel no País em relação ao Golfo do México

ANTONIO PITA, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2015 | 02h02

RIO - Apesar dos impactos da queda do preço internacional de petróleo, que devem provocar cortes de investimentos, a Petrobrás tem o que comemorar com a manutenção dos altos preços de combustíveis no Brasil. Na primeira quinzena de janeiro, a defasagem média de gasolina foi de 68,9% em relação aos preços praticados no Golfo do México. Para o diesel, a diferença foi de 53%.

Com essa margem, a estatal deverá ter R$ 2,9 bilhões em receitas adicionais por mês, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). As estimativas foram elaboradas com base na defasagem média verificada nos preços de combustíveis em dezembro, além da média de consumo mensal de combustíveis no ano passado, e as importações. No último mês, a defasagem nos preços girava em torno de 40% para a gasolina e 30% para o diesel.

Nesses parâmetros, a estimativa é que a companhia tenha receitas adicionais de R$ 1,9 bilhão por mês com a venda de diesel e mais R$ 1 bilhão com a venda de gasolina.

Com a ampliação da defasagem positiva em janeiro, como indicam os cálculos do Centro, os ganhos da estatal podem ser ainda maiores com o alto preço cobrado ao consumidor pelos combustíveis no País.

Repasse. A conta foi um fator determinante na decisão de repassar integralmente o reajuste de alíquotas de PIS/Cofins e da Cide para o consumidor. Na última segunda-feira, a estatal indicou que não assumirá os custos com os tributos reajustados pelo governo federal. Com a decisão, a alta nas bombas poderá chegar a 8% no dia 1.º de fevereiro.

Em novembro, a estatal já havia reajustado seus preços em 3% para a gasolina e 5% para o diesel. Naquele mês - último com dados consolidados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) sobre o consumo de combustíveis no País - o CBIE calcula que a estatal recuperou R$ 355,9 milhões com a venda de combustíveis a preços mais altos que no mercado externo.

"Esse volume ajudará a cobrir perdas dos últimos quatro anos, estimadas em R$ 57 bilhões, em função da defasagem negativa, quando os preços internos eram represados para conter a inflação", avalia Adriano Pires, diretor do Centro.

O objetivo dessa estratégia é aliviar a pressão sobre o caixa em um período de incertezas para a companhia. Sem publicar seu balanço, em decorrência das investigações de corrupção na empresa, ela não poderá recorrer ao mercado para financiar suas atividades.

Na época, o diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa, afirmou em teleconferência que a companhia tinha caixa livre para a operação de "seis meses e até mais", mas não detalhou os valores.

Os cálculos do CBIE consideram o consumo médio mensal entre dezembro de 2013 e novembro de 2014. O centro de pesquisas também ressalta que o cálculo se refere aos valores de combustíveis nas refinarias, sem a incidência de PIS/Cofins ou da Cide, que continua zerada por 90 dias, período previsto em lei para retomar a cobrança.

Para ampliar ainda mais a recuperação de caixa, a estatal também ampliou a importação de combustíveis. Até junho do último ano, a estatal pressionava suas unidades a ampliar a produção e, assim, reduzir a demanda de importações. Desde então, com a queda de mais de 40% do valor internacional do petróleo, a estatal passou a importar mais combustível.

Dados da ANP confirmam a estratégia. Em maio, quando o barril de petróleo custava, em média, US$ 105, a estatal importou cerca de 34 toneladas de gasolina. Em dezembro, quando o barril caiu a menos de US$ 50, foram importadas 249 toneladas do combustível.

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