Paulo Whitaker|Reuters
Paulo Whitaker|Reuters

Bolsa cai e dólar sobe com ameaça de perda de grau de investimento

Decisão da agência de classificação de risco Moody's de colocar a nota de crédito do Brasil em revisão azedou o otimismo do mercado

Paula Dias, O Estado de S. Paulo

10 Dezembro 2015 | 11h53

O otimismo com que os mercados de câmbio e ações operaram ontem azedou nesta quinta-feira, com a repercussão da decisão da agência Moody's de colocar em revisão negativa o rating brasileiro. A Bovespa fechou em queda de 1,04%, aos 45.630,70 pontos, contando com forte contribuição das ações da Petrobrás. O dólar terminou o dia valendo R$ 3,799, com alta de 1,26% frente ao real.

Os investidores vinham reagindo positivamente à aposta de que um impeachment da presidente Dilma é cada vez mais provável - e que colocaria fim na instabilidade política e econômica. Mas o anúncio da Moody's trouxe o mercado de volta à realidade ao indicar "rápida e material deterioração macroeconômica e das tendências fiscais" e também pela reduzida probabilidade de uma reversão da tendência nos próximos dois a três anos.

As ações da Petrobrás foram destaque de queda, influenciadas pela queda dos preços do petróleo e também pelo rebaixamento da estatal promovido pela Moody's. Ao final dos negócios, Petrobrás ON e PN recuaram 2,75% e 2,61%, respectivamente. Na ponta contrária estiveram os papéis da Vale, que subiram 4,88% (ON) e 3,83% (PN) acompanhando seus pares no mercado internacional, mesmo em um dia de nova queda dos preços do minério de ferro.

O cenário político acabou ficando em segundo plano e não trouxe novidade significativa, a não ser pelo aceno do vice-presidente, Michel Temer, de reconciliação com a presidente Dilma Rousseff. Contrariando a tese de que a carta enviada a Dilma na noite de segunda-feira sinalizava um rompimento com o governo, Temer disse que ele e a presidente se acertaram e que ela entendeu os motivos da carta. Temer voltou a falar em "harmonia" e "reunificação do País".

Tombini e Levy. Já os pronunciamentos do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foram o ponto alto do dia, uma vez que o cenário político acabou em segundo plano. Em almoço de fim de ano na Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Tombini disse que o BC "não limitará as suas decisões pelos possíveis impactos fiscais de suas decisões". Tombini reforçou que o BC tem conduzido sua política monetária de forma autônoma e continuará a fazê-lo para trazer a inflação de volta à meta em 2016.

A sinalização de Tombini de que o BC não hesitará em elevar os juros para conduzir a inflação à meta, independentemente de eventuais efeitos no campo fiscal, levaram a uma disparada dos juros, o que acabou influenciando o câmbio. O dólar, que pela manhã chegou a ensaiar rapidamente uma baixa, ao atingir a mínima de R$ 3,7494 (-0,06%), acelerou o ritmo e marcou máximas durante a tarde, para depois encerrar nos R$ 3,7990 (+1,26%).

Mais conteúdo sobre:
BolsaDólarValeBovespa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.