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Petrobras discorda de regras do leilão da ANP

O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella expressou "completa discordância" com as novas regras do leilão da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que prevê um limite de arremates de áreas por empresa. "esta discordância foi expressada pela Petrobras e por outras empresas que atuam no Brasil por meio do IBP, antes do edital ser publicado. Agora, que ele já saiu, nos cabe cumprir as regras, mas sob protesto", disse.Segundo ele, as novas regras não fazem "o menor sentido". "Nenhuma companhia pode concordar com isso e nós não concordamos. Limitar a ação da Petrobras e de outras empresas no Brasil é inaceitável sob o ponto de vista empresarial. É um contra senso para com a busca da competitividade e a concorrência", disse.Indagado por jornalistas se esta não seria uma forma de o Ministério de Minas e Energia e a ANP reduzirem o predomínio da Petrobras no leilão e dar maior oportunidade às demais empresas, Estrella se exaltou: "Agora vai se proibir a atuação da Petrobras no Brasil? Por que? Por que as outras empresas não investem da mesma maneira no Brasil, não participam nas licitações da mesma maneira que a Petrobras. É um mercado aberto. Não tem cabimento restringir a capacidade de investimento da Petrobras na Exploração e Produção. Eu como geólogo e como diretor da Petrobras tenho que demonstrar minha completa indignação quanto a isso". Estrella disse que em sua avaliação há uma tendência de aumento no valor dos bônus de assinatura oferecidos pelas empresas concorrentes no leilão da ANP. "Não posso afirmar claramente que vai ser maior, mas há uma tendência de mercado de que os lances sejam maiores este ano ou pelo menos iguais aos maiores feitos na Sétima Rodada", comentou.A tendência de aumento ocorreria tanto pelas novas regras da ANP - que limitam o número de áreas a ser arrematada por cada empresa - quanto pela disposição das petrolíferas de investir. "É natural, está na essência da licitação. Petróleo mais caro, áreas boas. Deve haver um maior interesse", disse.A prioridade da Petrobras para o leilão, segundo ele, será apostar nas áreas de gás natural e petróleo leve na Bacia do Espírito Santo e na Bacia de Santos, principalmente as localizadas no entorno de descobertas da Petrobras já feitas pela estatal. PetróleoSegundo Estrella, a Petrobras deve declarar comercialidade de três novos campos com reservas de petróleo e gás ainda este ano, localizados no Espírito Santo.Pelo menos dois deles já são conhecidos, o ESS-164, na Bacia do Espírito Santo, e o ESS-130, na Bacia de Campos, jurisdição capixaba. Ambos já foram citados no Plano de Abastecimento de Gás (Plangás), lançado pela Petrobras no primeiro semestre e, inclusive, já têm nas ruas as licitações para afretamento de plataformas de produção. No caso do ESS-164, a expectativa é de produção de 10 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Já o ESS-130 terá produção associada de óleo leve (100 mil barris por dia, estimativamente) e gás natural (3,5 milhões de metros cúbicos por dia).Segundo Estrella, há um terceiro campo, na região de Golfinho, cujos estudos ainda estão sendo concluídos, mas que já possibilitam estimar reservas de 100 milhões de metros cúbicos de barris de óleo equivalente. Neste campo, segundo o diretor, também deverá ser produzido gás natural. Não há, porém, a previsão de que este campo terá uma plataforma própria ou será ligado ao campo de Golfinho."No entorno de Golfinho há uma série de pequenos campos que podem ser interligados ao principal, a exemplo do que pretendemos fazer com Mexilhão, na Bacia de Santos. A tendência, na verdade, é esta. A indústria petrolífera em geral está desenvolvendo conjuntos de pequenos campos com uma única estrutura de produção. Este é o caminho, principalmente em águas profundas, onde tudo é muito caro", afirmou Estrella. Reservas de óleoO diretor afirmou nesta quarta-feira que o desenvolvimento das reservas de óleo leve descobertas recentemente na Bacia de Santos devem levar ainda uma década. Segundo ele, há importantes desafios tecnológicos a serem vencidos, além da necessidade de se avaliar o tamanho das jazidas existentes e de se encontrar novos reservatórios que viabilizem o alto investimento necessário na região. "Trabalhamos para iniciar a produção em meados da década que vem", informou o executivo. As reservas de petróleo de boa qualidade foram descobertas em camadas geológicas muito profundas, abaixo de uma extensa camada de sal que separa as rochas geradoras do petróleo brasileiro das jazidas descobertas atualmente. "Agora, vamos fazer uma radiografia dos resultados dos trabalhos na região antes de definir um programa avançado de avaliação da área", afirma. A descoberta confirma teses geológicas de que pode haver grandes reservas abaixo da camada de sal. Segundo Estrella, porém, a empresa ainda trabalha para encontrar novas jazidas na região. "Não dá para desenvolver pequenas acumulações", afirmou, sem quantificar quanto petróleo foi encontrado no bloco pioneiro, BM-S-11, onde a empresa tem parceria com a britânica BG e a portuguesa Petrogal.

Agencia Estado,

18 de outubro de 2006 | 12h15

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