FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Petrobrás dispara na Bolsa com rumor sobre saída de Graça Foster e mudança no conselho

A Secretaria de Comunicação da Presidência negou a demissão da executiva, mas isso não impediu a alta das ações: o papel PN subiu 15,47% e o ON, 14,24%

O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2015 | 11h46

Texto atualizado às 17h15

Os rumores sobre a substituição da presidente da Petrobrás, Graça Foster, e do conselho de administração da estatal movimentaram a Bovespa nesta terça-feira. As especulações dominaram os negócios e impulsionaram as ações da estatal. Os papéis PN dispararam 15,47%, enquanto os papéis ON subiram 14,24%. Com isso, a Bovespa fechou em alta de 2,76%.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República negou a demissão da executiva, mas Graça e a presidente Dilma Rousseff se reuniram durante a tarde. Elas conversaram por cerca de duas horas, o que aumentou os rumores de que Dilma teria definido a saída da executiva do comando da estatal.

Graça chegou ao Planalto por volta das 15 horas e deixou a sede do governo perto das 17 horas. Enquanto ela e Dilma conversavam, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou os ratings de probabilidade de inadimplência do emissor (IDR, na sigla em inglês) de longo prazo em moedas estrangeira e local da Petrobrás de BBB para BBB-. A agência ainda colocou todos os ratings em escala nacional e internacional em observação para possível rebaixamento.

A situação da presidente da estatal se agrava a cada dia, diante dos problemas que estão sendo enfrentados pela empresa. Hoje, a agência de classificação de risco Moody's afirmou que o rating da Petrobrás pode ser novamente rebaixado se a relação dívida líquida/Ebitda da companhia ficar acima de 5 vezes por um período prolongado. A afirmação consta de um relatório que visa responder perguntas frequentes dos investidores sobre a companhia. A estatal está no foco das denúncias da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, envolvendo situações de corrupção.

O Estado apurou que o governo prepara para breve o anúncio de uma importante mudança no conselho de administração. Composto por dez membros, sete são representantes da União, controladora majoritária da empresa. Mas apenas dois sem vínculo direto com o governo: o general da reserva Francisco Albuquerque e Sérgio Quintela, dirigente da FGV. Os demais são ministros, ex-ministros e o presidente do BNDES. A intenção, segundo fonte do próprio governo, é profissionalizar o conselho, substituindo-os por profissionais da iniciativa privada.

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O impasse contábil da estatal, que divulgou na semana passada o balanço do terceiro trimestre de 2014 - não auditado pela PricewatherhouseCoopers (PwC) - mobiliza uma força-tarefa do governo na busca de uma solução. Há a percepção clara, segundo o Estado apurou, de que o não fechamento do balanço coloca em risco todo o País.

A auditoria evita assinar o balanço enquanto a estatal não deixar claras as perdas com as fraudes que estão sendo investigadas na Operação Lava Jato. Sem as baixas contábeis, a PwC também fica vulnerável a eventuais processos pelas autoridades que vigiam o mercado financeiro no Brasil (CVM, Comissão de Valores Mobiliários) e Estados Unidos (SEC, Securities and Exchange Commission).

Segundo fontes, chegou-se a discutir uma investigação em torno de todas as operações financeiras da empresa para atestar a idoneidade do diretor da área, Almir Barbassa, e, assim, facilitar o acerto do balanço. A conclusão do processo foi estimada em dois meses, mas a proposta foi rejeitada pelo comando da estatal. Barbassa ocupa a diretoria Financeira desde julho de 2005, quando José Sergio Gabrielli, então diretor, foi promovido pelo presidente Lula à presidência do grupo. A Petrobrás nega que a PwC tenha pedido a investigação sobre Barbassa.

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