André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Petrobrás divulga hoje o balanço com correção de valores superfaturados

Balanço contábil não auditado será divulgado após o fechamento do mercado, após ter sido adiado por causa das denúncias surgidas na operação Lava Jato da Polícia Federal

O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2014 | 09h49


SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo, que já amarga as perdas da Petrobrás - vendida abaixo de R$ 10 - abre nesta sexta-feira, 12, em clima de expectativa à espera o balanço não auditado da companhia referente ao terceiro trimestre.

O balanço da empresa precisou ser refeito depois que as delações feitas pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e pelo o doleiro Alberto Yousseff revelaram uma série de informações que podem impactar os dados financeiros da empresa, como o superfaturamento de contratos. 

O balanço deve ser aprovado na reunião do Conselho de Administração da estatal, nesta manhã, em São Paulo, com a participação do ministro da Fazenda, Guido Mantega. 

Executivos da Petrobrás já anunciaram em teleconferência que a companhia está debruçada sobre o balanço para trazer a valor justo ativos que foram objeto de superfaturamento na construção ou aquisição.

Segundo o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, se houve sobrepreço, esse valor será retirado dos ativos imobilizados e levado a resultado. A presidente da Petrobrás, Graça Foster, também explicou que, para aferir a proporção do sobrepreço, estão sendo consideradas as denúncias em Juízo.

Preocupada com a repercussão mundial das denúncias, que abalaram o valor de mercado da empresa, a estatal também criou um departamento de governança corporativa. 

O balanço deveria ter saído na primeira quinzena de novembro, mas a publicação foi suspensa para que a empresa pudesse aprofundar as investigações referentes as denúncias de corrupção feitas pelo ex-diretor de Abastecimento na operação Lava Jato da Polícia Federal.

Caso não consiga apresentar os dados até o fim do ano, a empresa pode incorrer na violação dos termos de emissão de seus títulos no exterior. Segundo exigências das emissões de dívida da estatal com vencimentos entre 2016 e 2043, a empresa tem que apresentar seu resultado até 90 dias depois do final de cada trimestre.

"A companhia não está pronta para divulgar as demonstrações contábeis referentes ao terceiro trimestre de 2014 nesta data", afirmou a Petrobrás em comunicado ao mercado, ao comunicar o adiamento.

A estatal informou que o adiamento ocorreu por necessidade de mais tempo para que empresas de auditorias contratadas para analisar as denúncias do ex-diretor Paulo Roberto Costa possam aprofundar as investigações, fazer os ajustes possíveis nas demonstrações financeiras e avaliar a necessidade de melhorias nos controles internos.

No comunicado, a empresa afirmou que se as declarações do ex-executivo se mostrarem verdadeiras, isso poderá "impactar potencialmente as demonstrações contábeis da companhia".

A Petrobrás contratou os escritórios de advocacia Trench, Rossi e Watanabe Advogados, do Brasil, e Gibson, Dunn & Crutcher, dos Estados Unidos, especializados em investigação.

A contratação dos dois escritórios foi anunciada pela empresa no final de outubro, com o objetivo de investigar desvios de recursos da companhia citados pelo ex-diretor.

Na operação Lava Jato, a Polícia Federal ouviu de Paulo Roberto Costa que grandes empresas fecharam contratos com a Petrobrás durante anos com sobrepreço médio de 3 por cento, e que a maior parte do dinheiro foi repassada para PT, PP e PMDB.

O ex-diretor disse à Justiça Federal, sob acordo delação premiada, que cerca de dez "grandes empresas" realizavam um processo de "cartelização" nos acordos de fornecimento à Petrobrás. 

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