Petrobras divulgará dados sobre exploração de petróleo

A Petrobras vai criar rotinas específicas para a divulgação de eventos referentes à exploração e produção de petróleo. Atualmente, o único "calendário rígido" da empresa é quanto à divulgação do nível de reservas provadas, ou seja, a quantidade de óleo que pode ser efetivamente explorada, o que ocorre na primeira quinzena de cada mês de janeiro. Os outros eventos são divulgados de forma aleatória, conforme a avaliação do impacto para os negócios da companhia."Como não há uma norma rígida, fica difícil definir o que e quando deve ser divulgado", comentou o gerente-executivo de relações com investidores da Petrobras, Raul Campos, em palestra na PUC-Rio.Campos disse que esse processo faz parte da estratégia da companhia de se tornar cada vez mais transparente. "Até 1998 todo mundo reclamava que a Petrobras era uma caixa-preta. De lá para cá muito coisa foi feita, mas ainda faltam alguns aperfeiçoamentos", comentou. Ele ressalvou, porém, que nem todas as empresas de petróleo divulgam todos os fatos a qualquer momento. "As incertezas no setor são grandes."O executivo deu como exemplo a recente divulgação de uma descoberta feita pela empresa na bacia de Santos, em um campo que está sendo desenvolvido em conjunto com a multinacional BG. Um executivo da empresa inglesa deu entrevista á imprensa internacional afirmando que a descoberta era muito grande e poderia superar os 10 bilhões de barris.A Petrobras preferiu não comentar o episódio, alegando que essa descoberta só viabilizará negócios efetivos em horizonte superior a cinco anos.De qualquer forma, a Petrobras está muito otimista com essa descoberta, embora Campos tenha ressaltado que a empresa vai manter a atitude de cautela. Ele explicou que na bacia de Campos, no norte fluminense, o petróleo foi encontrado acima da chamada "camada do sal", um conjunto de rochas abaixo do nível do mar. Em Santos, porém, é provável que o óleo esteja abaixo desse patamar."O que há de concreto é que fizemos um furo num ponto do campo e encontramos óleo. Fizemos outro furo em outro ponto e também encontramos óleo. Mas não sabemos o que há no meio desses dois furos. Pode ser que não tenha nada. Só vamos saber com certeza quando fizermos novos furos", comentou.Todo esse processo, porém, além de muito caro, é lento. "E na indústria do petróleo as oscilações do mercado são muito fortes", complementou.

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