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Petrobrás diz que decide preço de gasolina

Com plano de negócios, Petrobrás quer mostrar independência em relação ao governo para tentar atrair parcerias para seus projetos

Antonio Pita, Fernanda Nunes, Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2016 | 00h31

RIO - Com o plano de negócios apresentado ontem, a atual gestão da Petrobrás tentou reforçar uma “diferença qualitativa” em relação aos planos anteriores: a autonomia frente ao governo. O discurso de liberdade para fixar preços de combustíveis, entretanto, ainda é visto com reserva no mercado. A independência é uma das apostas para atrair investidores para refinarias, um dos principais itens do plano de venda de ativos até 2018. 

“Se quisermos mudar [os preços] hoje, nós mudamos. Chegamos à conclusão recente de que não precisamos fazer mudança de preços já. Mas também não precisamos perguntar a ninguém se decidirmos que temos de mudar”, disse o presidente da estatal, Pedro Parente. Atualmente, os preços de gasolina e diesel da Petrobrás estão acima do cobrado no mercado externo, uma forma de recuperar o caixa.

Mesmo com a ênfase do discurso, os investidores têm dúvidas quanto à efetividade da autonomia. “Não está claro. A política vai ser comercial? Se for o caso, ela teria de reduzir os preços no Brasil”, disse o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (Cbie), que classificou como “vaga” a política de preços. 

Parente afirmou que o “ponto de partida” para a definição dos preços é a paridade internacional. O diretor de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino destacou que a nova política prevê “integração de toda a comercialização” de derivados e a “precificação dos serviços”. 

Parcerias. A sinalização é um recado para investidores. O novo plano de negócios enfatiza a decisão da companhia de buscar “parcerias” para a área de refino, garantindo liberdade aos futuros sócios na definição de preços. O modelo em estudo, segundo Celestino, já foi adotado pela petroleira em 2001, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Na época, a companhia vendeu 30% de participação na refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul, para a espanhola Repsol YPF. Em 2010, na gestão petista, o negócio foi desfeito. 

“A gente quer uma prática de preços liberada para que os sócios decidam os movimentos a serem feitos”, explicou Celestino. “A parceria Refap/Repsol é um modelo confiável, onde o sócio busca uma prática de preços competitiva e confiabilidade no escoamento da produção.” 

Parente indicou que ainda não há conclusão sobre o modelo de venda de ativos. O executivo confirmou que a estatal deixará as áreas de fertilizantes, biocombustível, petroquímica e distribuição de GLP. “Temos de ter a humildade de reconhecer o que não é nossa especialidade. Vamos nos desfazer desses ativos da maneira correta e não em uma transação apressada.” 

O modelo de parceria prevê que os sócios aportem recursos nos projetos estimados em US$ 40 bilhões nos próximos dez anos. O volume seria diluído em diferentes elos da cadeia, onde a companhia não tem prioridade em participar. O exemplo citado foi a venda da área de Carcará, no pré-sal, para a norueguesa Statoil.

A área de Exploração e Produção concentra 82% dos investimentos previstos para os próximos cinco anos, mas tem os menores patamares nos últimos anos da companhia. “Conseguimos manter a curva de produção fazendo essa redução de investimentos”, afirmou a diretora da área, Solange Guedes. / COLABOROU LUCIANA COLLET 

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