finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Petrobras diz que deve postergar projetos por causa da crise

Companhia vai priorizar exploração de óleo leve, o que incluirá o desenvolvimento da produção no pré-sal

Kelly Lima, da Agência Estado,

18 de novembro de 2008 | 14h41

A poucas semanas de divulgar a revisão de seu plano estratégico - já adiado por pelo menos quatro vezes -, a Petrobras está decidida a postergar projetos e priorizar apenas os que tenham retorno rápido e propiciem a retirada de óleo leve. A afirmação foi feita nesta terça-feira, 18, pelo gerente geral de novos negócios da área de Exploração e Produção da Petrobras, José Jorge de Moraes Júnior, em entrevista após participar do XII Congresso Brasileiro de Energia, no Rio.   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  O caminho até o pré-sal A exploração de petróleo no Brasil   O cenário de crise econômica mundial, que acarreta uma maior dificuldade de obtenção de crédito, e o preço do barril de petróleo, abaixo de US$ 60, são as principais causas dessa revisão nos planos da empresa. "São ajustes que precisavam ser feitos e que vão aparecer no plano estratégico que a companhia vai divulgar em dezembro", disse Moraes Júnior.   Segundo ele, a idéia é postergar todos os projetos que visavam a antecipação da produção em campos de óleo pesado e também aqueles que tinham como objetivo o aumento da produção de campos maduros. As áreas do pré-sal e os reservatórios em que a Petrobras já possui infra-estrutura instalada e que tenham indícios de óleo leve (com maior retorno econômico) serão priorizadas no curto prazo para garantir a manutenção da curva de produção, segundo ele.   Moraes Júnior não detalhou projetos que serão alterados, mas citou ao menos o BC-10 - no Parque das Conchas, e operado pela Shell - que está entre os que serão antecipados de 2010 para 2009.   Ele admite, no entanto, que os atrasos em alguns projetos que estavam até agora sendo considerados importantes podem prejudicar a curva de produção da companhia em 2012 ou 2013. "Mas nada de muito significativo, principalmente porque até lá a expectativa é de que o preço do barril no mercado internacional já tenha estacionado num patamar mais alto e isso deverá viabilizar estes projetos novamente", disse.   Segundo Moraes Júnior, a Petrobras já confirmou o interesse em participar da 10ª Rodada da ANP, que acontece em dezembro, e tem interesse nas áreas maduras das bacias do Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Potiguar.   Sondas   Ele afirmou também que a licitação para a construção das 28 sondas de perfuração em elevada profundidade, que seriam encomendadas ainda este ano no mercado nacional, foi adiada para 2009. "Não há mais condições para fazer esta licitação este ano", disse.   Por outro lado, o executivo disse que a crise econômica pode trazer um arrefecimento nos preços destes equipamentos no curto prazo, o que permitiria à Petrobras reduzir seus custos de exploração e produção na área do pré-sal. Ele garantiu que o atual preço do barril de petróleo, na casa de US$ 60, não compromete o desenvolvimento do pré-sal e que esta área será uma das prioridades da empresa.   Ainda segundo Moraes Júnior, a companhia pretende voltar a perfurar em 2009 os blocos de Jupiter, Iara e ainda o prospecto de Azulão (antigo Ogum) que é operado pela Exxon na área em torno de Tupi, na Bacia de Santos. A idéia, segundo ele, é que estejam operando naquela região 14 sondas de perfuração em 2012, e que a área já esteja produzindo um milhão de barris em 2015.   Indagado sobre a necessidade de unificação das áreas do pré-sal e de que forma que isso atrapalharia os planos de desenvolvimento, ele comentou que "ainda é cedo para avaliar". "De acordo com estudos preliminares que possuímos, há a perspectiva de que 50% de toda a extensão de 800 quilômetros em que identificamos a camada de sal esteja nas mãos da União, ainda sem concessão", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.