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Petrobras diz que greve não teve impacto sobre produção

O primeiro dos cinco dias de greve programada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) em plataformas e refinarias da Petrobras não teve grandes impactos sobre a produção da companhia. A paralisação foi iniciada no primeiro minuto da segunda-feira em protesto contra reduções de benefícios dos funcionários por conta da crise financeira mundial e ainda em prol de um aumento no valor da participação dos trabalhadores no lucro da empresa.

KELLY LIMA, Agencia Estado

23 de março de 2009 | 20h00

Na madrugada de segunda-feira, os turnos deixaram de ser trocados e os funcionários que estavam embarcados nas plataformas de petróleo foram mantidos em alto-mar. Uma liminar judicial obtida pela Petrobras no decorrer do dia, no entanto, garantiu o direito dos trabalhadores de deixar suas bases de operação e impediu que as plataformas fossem tomadas pelos grevistas,dando o direito à Petrobras de manter as atividades.

Mais uma vez, a guerra de informações marcou o primeiro dia de greve. Durante a manhã, a FUP dizia que havia conseguido suspender a produção na Bacia de Campos, no Espírito Santo e no Rio Grande do Norte - incluindo a plataforma P-34, primeira a produzir petróleo no pré-sal no Brasil - e reduzir o ritmo de operações de terminais de movimentação de petróleo e combustíveis.

A entidade chegou a calcular em 100% a adesão à greve, número que foi reduzido para 70% ao longo do dia. "Temos notícias chegando de todo o País de que a paralisação obteve forte adesão, mas só vamos conseguir perceber de fato o tamanho do protesto no decorrer dos próximos dias quando os turnos deixarem de ser trocados", disse o diretor da FUP, João Antônio Moraes.

A Petrobras, por sua vez, divulgou nota no início da noite garantindo que a operação de todas as unidades foi mantida. Onde não houve troca de turno, diz a empresa, as operações foram assumidas por equipes de contingência. Segundo a nota, 28 das 44 plataformas da Bacia de Campos não aderiram ao movimento; dos 47 terminais, 25 não aderiram à greve. O mesmo teria ocorrido nas 11 refinarias, sem que o processamento de derivados fosse afetado.

No ano passado, uma greve de cinco dias realizada pelos sindicatos ligados à FUP provocou uma redução de 136 mil barris na produção da estatal, mas segundo a companhia este ano o plano de contingenciamento foi acionado mais rapidamente. A Petrobras informou também que não há risco de desabastecimento, apesar de a FUP alertar ao mercado que os estoques de Querosene de Aviação (QAV) só são suficientes para abastecer por três dias o terminal de Guarulhos, em São Paulo.

No mercado financeiro, a greve passou quase despercebida, com as ações da Petrobras seguindo a alta da Bovespa no dia, e fechando acima dos 6%. Para analistas do setor, a greve só deve preocupar se ultrapassar o prazo de cinco dias de paralisação programados. A FUP informou que uma continuidade seria decidida na sexta-feira. Por enquanto, segundo o diretor da Federação, serão mantidos os cinco dias de greve, independente de qualquer negociação que ocorra em paralelo.

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