Marcos de Paula/Estadão
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Petrobrás diz que produção caiu 8,5% com greve

Número é relativo apenas à produção desta terça-feira, enquanto na segunda-feira queda foi de 13%; segundo a FUP, recuo total é de 20%

Antonio Pita e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2015 | 02h01

RIO - A Petrobrás admitiu que suas operações foram afetadas pela paralisação de trabalhadores em todo o País. A estatal estima uma perda acumulada de 460 mil barris de óleo e 19,2 milhões de metros cúbicos de gás natural. Somente nesta terça-feira, a produção de petróleo caiu 8,5% e a de gás, 13%. A greve já dura cinco dias e, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), tem adesão de 45 plataformas na Bacia de Campos e outras 13 unidades produtoras do Rio Grande do Norte.

No comunicado, a petroleira informou que na última segunda-feira, a perda na produção de óleo chegou a 13%. A nota destaca que a companhia adota as "medidas necessárias" para garantir as atividades e que "não há previsão de desabastecimento". A estatal ainda alertou que a queda na produção afetará também a arrecadação de tributos e royalties pela União.

"A Petrobrás informa que a greve coordenada pelas entidades sindicais afeta as operações da companhia. Com a perda de produção, a arrecadação de tributos recolhidos em favor da União Federal, Estados e municípios, como os royalties e a participação especial, é diretamente impactada", diz o comunicado da empresa.

Nesta terça-feira, a FUP estimou uma perda de 20% na produção nacional. Apesar de um impacto menor, a confirmação das perdas pela Petrobrás foi comemorada pelas lideranças do movimento, na noite desta terça-feira. "É uma notícia positiva que dará mais força para o movimento. Com as perdas, a companhia tenta pressionar o governo e nós esperamos um gesto sobre a nossa pauta", afirmou o sindicalista e membro do conselho de administração da empresa, Deyvid Bacelar.

Na noite de domingo, ele e outros dois integrantes do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindpetro-BA) foram presos por desacato durante um ato na Refinaria Landulpho Alves, na região metropolitana de Salvador. O conselheiro diz ter sido agredido. "A viatura avançou com velocidade sobre os militantes que abordavam os trabalhadores. Fui imobilizado de forma violenta, algemado e agredido, o que me deixou cheio de hematomas."

Abastecimento. Além das unidades de produção, o movimento também tenta interromper a atividade nas refinarias. Segundo a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que também reúne sindicatos de petroleiros, as equipes não estão sendo substituídas. A produção, entretanto, é mantida pela equipe de contingência da estatal, com funcionários que recebem hora extra para permanecer nas refinarias e cobrir os grevistas.

Segundo uma fonte da empresa, a companhia possui estoques de petróleo e derivados capazes de abastecer o mercado pelo período de 15 a 30 dias, dependendo do produto, mesmo com refinarias paradas. No comunicado, estatal não indicou impactos na produção de derivados.

Além da garantia da Petrobrás, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) afirmou, em comunicado, que "no momento, não há risco de desabastecimento. Caso haja, a ANP tomará as medidas cabíveis". A FUP se comprometeu com o Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro (MPT-RJ) a não prejudicar a população com a greve.

A greve na Petrobrás foi iniciada na quinta-feira, por indicação da FNP, que possui cinco sindicatos filiados. A pauta de reivindicação é a manutenção de benefícios trabalhistas e reajuste salarial de 18%.

No domingo, o movimento ganhou força, quando também a Federação Única dos Petroleiros (FUP) indicou a paralisação nas unidades instaladas na área de abrangência dos seus 13 sindicatos, entre elas, a Bacia de Campos. A FUP não pede aumento de salário, mas sim o fim do plano de venda do patrimônio da empresa.

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