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Petrobrás e a francesaTotal fazem parceria

Empresas vão estudar negócios no exterior, e Total poderá comprar ativos da estatal

Fernanda Nunes Vinícius NederMariana Durão / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2016 | 07h10

A Petrobrás firmou ontem a terceira parceria com uma empresa petroleira de grande porte em menos de dois meses. A francesa Total será sua aliada estratégica na exploração e produção de petróleo e poderá estar ao seu lado no leilão do pré-sal marcado para o ano que vem, informou o presidente da Petrobrás, Pedro Parente. Antes da Total, em agosto, a estatal já havia anunciado a intenção de ter a norueguesa Statoil como parceira prioritária. Em seguida, disse o mesmo sobre a portuguesa Galp.

No caso da Total, as conversas vão além da sociedade em novos projetos que podem surgir do pré-sal. As duas vão estudar oportunidades para produzir petróleo no exterior, e a Total ainda poderá comprar ativos de geração de energia elétrica e do segmento de gás natural.

“Essa parceria pode incluir tanto ativos já existentes quanto a participação em futuros leilões. E na área de downstream (abastecimento) pode implicar desinvestimentos. Estamos discutindo. Os detalhes só vamos conhecer quando tiver concluída a negociação que esperamos fazer proximamente”, disse Parente. A ideia é definir projetos para dividirem até o fim do ano.

A Petrobrás incluiu na sua lista de bens à venda, para engordar o caixa em meio à crise financeira, redes de gasodutos, terminais de regaseificação, por onde chegam os navios com gás importado e unidades de tratamento do gás natural produzidos em alto mar, além de usinas térmicas.

Refinarias também fazem parte do pacote, mas, no comunicado enviado ao mercado, a estatal informou que a discussão sobre esse tipo de negócio acontecerá numa segunda etapa. Em coletiva para comentar a parceria, Parente ainda afirmou que “o conjunto de refinarias” não está em discussão. “Seriam coisas mais pontuais”, complementou, sem dar detalhes das conversas.

A formação de parcerias tem sido apontada pela Petrobrás como uma solução para seguir em frente com os investimentos. Sem dinheiro em caixa, a estatal quer dividir custos e riscos com outras empresas. A estratégia tem sido utilizada há anos na produção de petróleo, mas nunca foi uma alternativa de fato em outros segmentos de atuação. Agora, a ideia é estendê-la a toda a empresa.

No refino, comandado pelo diretor Jorge Celestino, o desenho de como será essa parceria está avançando. Em palestra durante a feira Rio Oil & Gas, ele informou que, até o fim do ano, a diretoria da Petrobrás apresentará ao conselho de administração o modelo de sociedade que será firmado dentro do programa de venda de ativos.

Pacote. A ideia é juntar em um mesmo pacote ativos de refino e sua infraestrutura logística, “de maneira que faça sentido econômico para o sócio”, segundo Celestino. “Para atrair investidor, o ativo tem de ter valor relevante, capacidade de refino e acesso ao mercado”, afirmou.

Serão formadas empresas, nas quais seriam alocadas uma ou mais refinarias e a estrutura logística. Cada uma dessas empresas teria parte do capital vendido a futuros sócios. Mas ainda não foi definido o porcentual a ser vendido e se a estatal permanecerá como operadora.

O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, disse ter sido "decepcionante" o preço da gasolina ter subido em 11 estados e no Distrito Federal após a empresa ter anunciado uma redução nas suas refinarias, no último dia 15. O combustível ficou 3,2% mais barato para as distribuidoras, que repassam o produto para os postos antes que cheguem ao consumidor.

Para os motoristas, após dez dias do corte pela Petrobrás, o combustível ficou mais caro em alguns locais, segundo levantamento realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“Acho que, como expectativa, certamente, é decepcionante ver que isso não chegou ao consumidor. Mas não fazemos pesquisa nos postos e nem sei se foi uma situação generalizada. Acho que era uma expectativa justa que isso tivesse acontecido, mas não há o que fazer, porque o mercado é livre”, disse Parente.

Distribuidoras e donos de postos têm independência para definir os preços que pretendem praticar, sem que sofram interferência da Petrobrás e do governo. Ao anunciar o corte de preços nas refinarias, Parente estimou que os motoristas poderiam ser beneficiados com uma queda de R$ 0,05 por litro de gasolina. Mas a projeção não se concretizou.

Para o diretor de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino, ao avaliar os preços dos combustíveis na bomba, é preciso levar em conta o efeito do álcool anidro, adicionado na proporção de 27% na gasolina. “O preço do etanol está subindo. Isso explica em parte o fato de o preço não ter caído para o consumidor”, disse.

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