Petrobras é citada em processo dos EUA que investiga propina

FBI investiga corrupção de estatais por empresa de válvulas nos Estados Unidos, entre elas a brasileira

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

09 de janeiro de 2009 | 19h26

A Petrobras é citada em documento do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em razão de processo impetrado na Califórnia, como uma das empresas estatais que teriam recebido propina de um funcionário de uma empresa de válvulas com objetivo "de ajudar a obter e reter o negócio para a companhia de válvulas". Mario Covino, italiano e residente na Califórnia, declarou-se culpado à Justiça dos EUA com relação à acusação de ter participado em processo de corrupção de estatais de vários países, que está sob investigação do FBI. Procurada pela Agência Estado, a Petrobras não se pronunciou sobre o assunto até o momento.   As propinas, que teriam sido pagas aos clientes da empresa com base nos EUA, eram chamadas de "flores", e aqueles que as recebiam eram tratados como "amigos de campo" pela empresa na qual Covino trabalhava, de acordo com o documento ao qual a Agência Estado teve acesso. Ainda segundo o documento, os empregados das estatais que recebiam as "flores" da empresa de válvula "tinham autoridade para selar contratos ou para influenciar nas especificações técnicas de forma que favoreceria" a companhia do italiano.   O processo cita entre as estatais clientes da Companhia A (forma pela qual é descrita a empresa de Covino nos autos) a Petrobras. As outras empresas mencionadas nominalmente são seis companhias da China, uma da Índia, uma da Coreia, uma da Malásia e duas dos Emirados Árabes Unidos. Outras empresas estatais podem estar envolvidas, segundo a investigação.   No processo, Covino admitiu que, de março de 2003 a agosto de 2007, orquestrou o pagamento de US$ 1 milhão em propina para funcionários de estatais internacionais. O italiano admitiu ainda que a empresa de válvulas lucrou aproximadamente US$ 5 milhões com os contratos que obteve como resultado das propinas.   Até agora, a Justiça Americana divulga dois pagamentos, de US$ 15 mil para cada um, que foram feitos para duas empresas chinesas em 2004. Naquele mesmo ano, ao passar por auditoria interna, Covino apagou mensagens eletrônicas, e instruiu outros funcionários, que tinham relação com as propinas, a fazerem o mesmo.   As válvulas da empresa do italiano, que supervisionava a construção de novos projetos e substituição de peças, são utilizadas nas indústrias nuclear, petróleo e gás e geração de energia em todo o mundo.   A Petrobrás divulgou nota informando que vai verificar as informações a respeito da suspeita. Em curta nota, a companhia afirma que apenas se pronunciará sobre o caso "quando estiver plenamente informada sobre os fatos".   (com Nicola Pamplona, de O Estado de S. Paulo)

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