Petrobras e CTA estudam fibra de carbono em dutos de águas profundas

A Petrobras e o Centro Técnico Aeroespacial (CTA) estão estudando uma parceira para desenvolver o uso da fibra de carbono na construção de tubos de transporte de petróleo a serem usados em extração de óleo em águas profundas. O projeto foi anunciado nesta quarta-feira no primeiro dia do Salão e Fórum de Inovação Tecnológica e Tecnologias Aplicadas nas Cadeias Produtivas, que acontece no Expor Center Norte, em São Paulo, com entrada franca.O evento é patrocinado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) em conjunto com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que investe em pesquisa e desenvolvimento de empresas. "A Petrobras precisa de um tipo de riser (tubo) que possa explorar a 3 mil metros. Os dutos de aço sofrem com a pressão violenta nessa faixa e se fecham, não resistem", disse o secretário de Política Tecnológica Empresarial do MCT, Maurício Mendonça. Para contornar o problema, é necessário usar um material extremamente duro e resistente, no caso a fibra de carbono. Como o CTA trabalha com o desenvolvimento aeroespacial, usa e pesquisa esse material.A proposta do salão é divulgar produtos, serviços, equipamentos e sistemas inovadores desenvolvidos por centros de pesquisa, universidades, órgãos governamentais e empresas privadas de todo o País. O objetivo é estimular o desenvolvimento e a utilização de novas tecnologias para melhorar a qualidade de vida da população e aumentar a competitividade, com vistas ao mercado externo. Já nos fóruns, serão apresentadas as experiências das empresas em pesquisa, desenvolvimento e inovação.O evento se realiza em um momento de crise econômica, mas é nessa hora que o empresário precisa mais da inovação, afirma Mendonça. "A crise pode ser vista como uma ameaça ou como oportunidade, pois é dela que se cria coisas novas e isso se faz por meio da inovação", disse.Para o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, "houve uma verdadeira revolução de mentalidade. Hoje os empresários não estão ausentes, os empresários estão presentes, e demandando, e temos aqui o exemplo, essa feira é da iniciativa privada". Ele destacou as iniciativas da Federação das Indústrias dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro (Fiesp e Firjan) em relação à inovação. "O que está acontecendo no Brasil em relação a inovação é o que chamamos de fenômeno, todos estão tomando consciência ao mesmo tempo de que a inovação é essencial para o País", disse o ministro. Diversas empresas estão expondo projetos e mostrando como funciona os departamento de pesquisa no salão: Siemens, Embraer, Votorantim e Rhodia são algumas delas. Sardenberg destacou que é preciso deixar claro que o investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação garante retorno econômico para o País. Ele citou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que desenvolveu intensa pesquisa na adaptação da soja para as condições de cerrado, lembrou do trabalho da própria Petrobras na pesquisa em exploração de petróleo em águas profundas, da produção de soros e vacinas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do programa de desenvolvimento de satélites com a China - nesse ano os países devem lançar o segundo satélite de sensoriamento remoto."Tudo isso tem valor econômico, se aplica diretamente ao crescimento das exportações ou atendimento do mercado interno, com benefício para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)", disse o ministro.

Agencia Estado,

31 de julho de 2002 | 16h40

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