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Petrobrás é forçada a mudar plano de refinarias

Após aumento da demanda, produção será modificada para elevar a oferta de gasolina

IRANY TEREZA , SABRINA VALLE / RIO , O Estado de S.Paulo

22 de março de 2012 | 03h03

A explosão na demanda por gasolina, etanol e diesel nos últimos dois anos alterou o planejamento de refino da Petrobrás. No primeiro bimestre de 2012, a demanda por gasolina aumentou 32% sobre o mesmo período do ano passado, segundo dados da área de Abastecimento da estatal.

A elevação do patamar preocupa - em 2011, o consumo cresceu expressivos 24% sobre 2010 - e já desperta reação do governo para garantir o abastecimento doméstico.

A mudança radical de cenário forçou uma revisão geral do plano de refino da companhia. De exportadora em 2010, a Petrobrás passou a importar gasolina mais cara no mercado internacional para atender ao aumento da frota de carros flex num momento em que o preço do álcool está menos competitivo.

As quatro novas refinarias que devem começar a operar a partir de 2013 - em Pernambuco, Maranhão, Ceará e Rio - não preveem nem um litro sequer de gasolina: 75% da produção serão de diesel e o restante de combustíveis como querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo e nafta.

Além de ampliar a capacidade de produção de diesel nos novos projetos, a Petrobrás vai alterar a proporção de processamento de produtos nas refinarias atuais para elevar a oferta de gasolina. Também está empenhada em aumentar sua participação no setor de etanol.

A preocupação ficou evidente ontem, nos discursos da cerimônia de posse da nova diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard. O assunto foi abordado por ela e pela presidente Dilma Rousseff.

"A Magda tem de aprofundar e aprimorar a regulação do etanol combustível (...) e assegurar a garantia e a estabilidade do fornecimento, (para) que não haja flutuações que criem instabilidade no setor de combustível no País", afirmou Dilma.

Está em estudo na Petrobrás um plano de reavaliação da produção de todas as refinarias no País, tanto as 11 que já existem quanto as quatro em construção. "É uma escolha de Sofia. Preciso de diesel e gasolina", diz o diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa. Em média, as refinarias em operação destinam 30% da produção à gasolina. É possível elevar essa média para 40% e reduzir a parcela de diesel.

Mas o atendimento integral do consumo depende da oferta de etanol, também usado na fórmula da gasolina, na proporção de 20% da fórmula. Quebras de safra do etanol desestabilizaram o mercado, fazendo com que motoristas optassem pela gasolina, mais barata. Em seu discurso de posse, Magda afirmou que a autossuficiência de combustíveis até hoje teve ajuda do etanol e ressaltou que o País tem como desafio garantir o produto nos níveis de que precisa.

Em entrevista recente, a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, ressaltou a importância do etanol para fechar a equação da oferta de combustível e prometeu aumentar a participação da estatal na área. Hoje, o déficit é resolvido com importação de gasolina, comprada no exterior mais cara do que no mercado interno, o que tem gerado prejuízos para a estatal.

O processo de readequação das refinarias, no entanto, promete ser lento. A primeira a operar, com metade de sua capacidade (230 mil barris por dia), deve ser a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) em Pernambuco, prevista para junho de 2013.

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