Petrobras é mais sensível à oscilação do diesel

Na política adotada pela Petrobras de alinhar os preços domésticos dos combustíveis às cotações internacionais, erra quem pensa que é a gasolina que dita a necessidade de reajustes. A análise dos últimos reajustes revela que a estatal brasileira do petróleo demonstra maior tolerância em relação à defasagem existente no preço da gasolina do que no do diesel."Isso ocorre porque o óleo diesel proporciona cerca de 40% do faturamento da Petrobras, enquanto a gasolina responde por 15% a 20%", diz o consultor Fábio Silveira, da empresa de consultoria MSConsult.Essa tolerância ficou clara no último reajuste dos preços dos combustíveis, realizado em junho. Diante da alta da cotação do petróleo, o preço da gasolina no mercado brasileiro chegou a acumular, em março e abril deste ano, defasagem de 17,4% e 21,4% respectivamente em relação aos praticados no mercado norte-americano, referência para a política adotada pela estatal. Nos mesmos meses, as defasagens dos preços nacionais do diesel foram de 2,9%, e de 3,4%.Quando houve, em maio, um aumento excepcional da defasagem existente no diesel, para 15,5%, ditada pela elevação dos preços do derivado no mercado norte-americano, a Petrobras resolveu disparar o aumento dos preços internos. Em maio, a defasagem da gasolina já havia atingido a marca de 36,6%, lembra Silveira."A Petrobras olha as defasagens existentes nos dois produtos para deflagrar os reajustes dos preços nas refinarias", ressalta o consultor. Ele admite, entretanto, que a estatal é mais sensível à defasagem existentes nos preços do diesel.ExceçãoHá pelo menos uma ocasião em que a diferença existente entre o diesel brasileiro e o do mercado de referência superou a verificada na gasolina. Em outubro de 2002, em meio à campanha eleitoral presidencial, o preço do óleo diesel brasileiro chegou a custar 33% menos que o diesel norte-americano.No mesmo mês, a defasagem existente na gasolina atingiu 32%. Após as eleições, os preços do diesel dispararam, saindo de R$ 1,06 o litro (com impostos), cobrado em outubro de 2002, para R$ 1,50 o litro, em janeiro de 2003, segundo dados da MSConsult.

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