Petrobras e Rio discutem saída para fornecer gás à CSA

O governo do Estado do Rio e a Petrobras vão buscar soluções para garantir o fornecimento de gás natural à Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), investimento de US$ 3,6 bilhões capitaneado pelo grupo alemão Thyssenkrupp e pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Segundo o secretário de desenvolvimento econômico do Rio, Júlio Bueno, o projeto entra em operação em 2008, ano considerado crítico para o fornecimento de gás para o Brasil, e talvez seja necessário remanejar volumes hoje usados por outras indústrias."A CSA é hoje o maior investimento privado do País e não podemos brincar com um projeto de US$ 3,6 bilhões", afirmou Bueno, após reunião na sede da Petrobras. Em sua primeira fase, o empreendimento vai consumir 500 mil metros cúbicos por dia de gás natural, volume que deve subir a até 1,2 milhão de metros cúbicos diários nas fases seguintes. Atualmente, o Estado do Rio consome cerca de 10 milhões de metros cúbicos por dia, dos quais cerca de 40% são destinados ao mercado industrial. Bueno garantiu que os segmentos residencial, comercial e veicular não serão afetados pelo remanejamento de gás para a CSA. Segundo ele, a idéia é identificar indústrias que possam substituir o combustível com derivados de petróleo. "Vamos fazer uma avaliação do portfólio de consumidores de gás e priorizar os projetos para os quais o combustível tem maior relevância econômica", explicou.Bueno e o secretário de meio ambiente do Rio, Carlos Minc, afirmaram que o Estado não vai licenciar um projeto de térmica a carvão da Inepar em Sepetiba, na região metropolitana da capital, onde também será instalada a CSA e outro projeto siderúrgico da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Segundo Minc, a bacia aérea de Sepetiba já está saturada e não comporta uma usina deste tipo. "Não queremos transformar Sepetiba em uma nova Cubatão", afirmou.Na reunião na Petrobras, da qual também participaram o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, e o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, os secretários se comprometeram a agilizar o licenciamento ambiental dos projetos da estatal - notadamente o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que será instalado em Itaboraí, também na região metropolitana. Segundo Minc, as duas partes criarão grupos de trabalho para realizar o licenciamento no menor prazo possível "sem comprometer a qualidade da licença".Ele disse ainda que o Estado vai estudar a flexibilização da legislação sobre o plantio de eucalipto para permitir a cultura em áreas degradadas do Noroeste do Estado. Até agora, as empresas de celulose ainda não se dispuseram a investir no Rio dada a rigidez da legislação, elaborada pelo próprio Minc, quando era parlamentar. "Em áreas muito degradadas, o eucalipto pode ser uma solução e estudamos reduzir as contrapartidas desde que seja combinado ao plantio de espécies nativas", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.