WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Petrobrás e Sete Brasil chegam a acordo que dá fôlego à empresa de sondas

Companhias devem assinar na semana que vem o contrato, fundamental para que a Sete possa obter financiamento no BNDES; ficou acertada a construção de 19 sondas, das quais 15 serão feitas pela empresa brasileira e as outras quatro por grupo japonês

Mariana Sallowicz, Mônica Ciarelli, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 20h13

Atualizado às 21h27

RIO - Após meses de discussão, a Petrobrás e a Sete Brasil chegaram a um acordo e devem assinar, na próxima semana, o contrato de aquisição de sondas que serão usadas pela estatal para a exploração do pré-sal. O acerto foi alinhavado nesta sexta-feira em uma reunião entre o presidente da Petrobrás, Aldemir Bendini, e os principais sócios da Sete Brasil na sede da petroleira em São Paulo. Concluída essa etapa, os sócios podem se debruçar agora no plano de reestruturação da companhia. Uma solução para a empresa é tida como vital para estancar a crise nos estaleiros. 

Segundo fontes, o acordo prevê a construção de 19 sondas. Desse total, 15 unidades serão feitas pela Sete Brasil e outras quatro por um grupo japonês liderado pela Kawasaki. Inicialmente, o projeto, que precisou ser readequado, era para a construção de 28 sondas de perfuração em águas ultraprofundas. 

Foi definido ainda que a Sete Brasil vai operar cinco sondas, o que era um dos pontos de divergência entre as duas empresas. Com problemas de caixa, a Sete Brasil brigava para operar sete sondas e, com isso, aumentar suas receitas com a administração das unidades, mas acabou tendo que ceder neste ponto. O valor do afretamento das sondas será mantido conforme o contrato anterior, em torno de US$ 450 mil por dia.

As outras dez sondas feitas pela companhia poderão ficar com outro operador. Segundo fontes, um dos avanços alcançados no encontro desta sexta-feira foi a possibilidade de esse bloco de dez sondas ficar com um único grupo, o que tornaria mais fácil a busca por grupo interessado. 

Mais ativa. Na reunião, também foi estabelecido que a Petrobrás terá uma participação mais ativa no plano da companhia. A Sete Brasil, que tem a estatal como acionista minoritária, foi criada para ser proprietária de plataformas flutuantes de perfuração do pré-sal. Entre os outros sócios estão os fundos de pensão Petros (dos funcionários da Petrobrás), Funcef (da Caixa Econômica) e Valia (da Vale), além dos bancos Santander e BTG Pactual.

“Agora há o compromisso da Petrobrás de estar mais presente e atuar mais em conjunto com as outras partes. Isso ocorrerá, por exemplo, com a participação deles nas reuniões”, afirmou a fonte. 

A assinatura do acordo é fundamental para que a Sete possa obter financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nesse momento de crise financeira. A empresa deixou de pagar aos estaleiros responsáveis pela construção das embarcações em novembro de 2014. Desde o último ano, enfrenta uma crise, após ter sido citada nas investigações da Operação Lava Jato. Dois ex-diretores foram citados como beneficiários das propinas rastreadas pela Polícia Federal. 

Sem crédito. Com o envolvimento, a companhia teve dificuldades para liberação de financiamento por parte do BNDES, que apesar de ter uma linha de crédito de cerca de US$ 3 bilhões à empresa, ainda não liberou o pagamento. 

O acerto com a Petrobrás abre caminho para que o empréstimo possa sair do papel. Além disso, os principais credores da empresa de sondas (Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa) que já haviam executado as garantias junto ao Fundo Garantidor da Construção Naval (FGCN) agora devem atender aos pleitos da empresa. Até porque, alguns deles também estão na relação de sócios da Sete Brasil. Os acionistas chegaram a aportar US$ 3,1 bilhões, ou R$ 8,25 bilhões, na Sete para a construção de 29 sondas, das quais 28 eram para a Petrobrás. 

Há duas semanas, o assessor especial da presidência da Petrobrás, Paulo Alonso, disse acreditar que até outubro, os sócios já chegassem a um acordo sobre a equação financeira da Sete Brasil. Dessa forma, segundo ele, seria possível aliviar financeiramente os estaleiros, que atualmente passam por uma crise. / COLABOROU ANTONIO PITA

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