Petrobrás é uma das poucas empresas protegidas

A manutenção da alta do petróleo, após os ataques ocorridos nos Estados Unidos, pode fazer com que a Petrobrás fique entre as poucas empresas protegidas no Brasil, no caso de crise mundial. Esse é o único consenso de analistas de mercado neste momento, quando o assunto é a avaliação das conseqüências dos ataques a prédios comerciais e do governo americano.Questionados sobre os efeitos desse episódio nas companhias brasileiras, todos os especialistas adotaram muita cautela e ressaltaram que seus comentários são preliminares. São inúmeros os cenários projetados, que vão desde um impacto emocional momentâneo dos mercados até uma eventual guerra."É cedo para avaliar. Todos estão atentos ao comportamento do risco Brasil, das taxas de câmbio, enfim, de como esse fato irá afetar a economia global", disse o analista-chefe da Itaú Corretora, Reginaldo Alexandre. Na opinião de Alexandre, as conseqüências da tragédia podem se mostrar mais políticas do que econômicas. Caso a situação caminhe para uma crise econômica mundial, "não haverá alteração no curso dos problemas que já vinham ocorrendo", acredita.No caso de Petrobrás, o analista-chefe do Banco Pactual, Ricardo Kobayashi, lembra duas condições para que a estatal, pelo menos, não sofra tanto quanto outras empresas. "A alta do petróleo deve se manter no médio prazo, e o governo não pode mudar as regras de remuneração da Petrobrás pelo produto vendido."Para Alexandre, as companhias cujas receitas estão voltadas para o mercado interno podem, num primeiro momento, encontrar uma espécie de proteção em relação a uma crise externa. No longo prazo, entretanto, seriam afetadas indiretamente. Nesse cenário estariam empresas de energia, alimentos, consumo e varejo.Bancos se ajustam rapidamenteO analista lembrou ainda que os bancos não devem ser prejudicados numa eventual crise global. "Eles já mostraram que sabem se defender bem de quadros adversos." As empresas exportadoras também podem ter benefícios, caso o câmbio se mantenha em patamares elevados. "Em nossas projeções, o dólar tem um novo piso, que é de R$ 2,60", comentou a analista-chefe da Fator Doria Atherino Corretora, Lika Takahashi. Ela afirma, entretanto, que o ganho com o câmbio pode ter o contraponto da queda nos preços das commodities. Kobayashi acredita que a Embraer também vai sentir os efeitos nocivos da tragédia nos Estados Unidos no curto prazo. "Ela pode ser prejudicada com o impacto nas companhias aéreas americanas, que reduziriam encomendas."

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