Petrobras e Vale puxam queda na Bovespa

Com o risco de queda na demanda, o preço das commodities está em queda, o que influencia ações

Da Redação,

04 de agosto de 2008 | 14h55

O mercado financeiro começa a semana com o temor reforçado de enfraquecimento da economia mundial. Com o risco de queda na demanda, o preço das commodities está em queda, o que inclui a cotação do petróleo.  Neste cenário de nervosismo, os investidores estrangeiros ampliam o volume de saques na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e o resultado é a forte queda das ações da Petrobras e da Vale - de 4,33% e 6,96%, respectivamente. Como são papéis de forte peso no Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - a baixa chega a quase 4%, em 55.669 pontos, às 14h45.  "Esse meio de ano pode ser a formação de um fundo (piso) para o mercado de ações brasileiro. Não é uma tendência explicada por fundamentos", segundo o economista e analista de investimento da Spinelli Corretora, Daniel Gorayeb, lembrando que Bovespa foi uma das que menos caiu com a crise do subprime (mercado imobiliário) nos EUA, favorecida justamente pela alta das commodities.  O sofrimento hoje só não é maior porque o volume de negócios projetado para o fechamento, R$ 4,6 bilhões, está bem comportado, abaixo da média diária registrada em julho, que foi de R$ 5,6 bilhões. O número mostra que não há uma saída desenfreada, a qualquer custo do mercado brasileiro.  Mas os investidores estrangeiros são apontados como os grandes responsáveis pela queda atípica da Bovespa. "Tem gringo saindo e não tem investidor local para defender", resumiu um operador. Uma evidência forte de que os estrangeiros estão na linha de frente das vendas é o tombo de Bovespa Holding (7,65%) e de BM&F (7,63%) às 13h10, papéis que encabeçam, juntamente com as blue chips, as carteiras do participantes estrangeiros.  Esse noticiário negativo do setor financeiro no exterior contaminou os papéis do setor bancário por aqui. O Bradesco, que divulgou pela manhã lucro líquido no segundo trimestre (R$ 2,002 bilhões, alta de 11,16% ante mesmo período de 2007) em linha com as previsões dos analistas, viu suas ações preferenciais caírem 3,96%. Itaú, que apresenta resultado amanhã, amargava baixa de 3,50%, e as units de Unibanco, cujo balanço sai na quinta-feira, perdia 4,24% às 14h10.  Do lado positivo, as ações das companhias aéreas se beneficiam do petróleo mais barato. Gol PN subia 3,23% e TAM PN +3,08%. No câmbio, o dólar subiu ante o real, repercutindo o declínio do mercado acionário local. Às 14h50, a moeda norte-americana é vendida a R$ 1,5680, em alta de 0,38%.  Estados Unidos  No lado econômico dos EUA, relatório divulgado nesta segunda-feira, 4, mostrou que o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) subiu 0,8% em junho em relação a maio e avançou 4,1% em comparação a junho do ano passado, reforçando o desconforto do ambiente inflacionário americano. A renda pessoal cresceu apenas 0,1% após alta de 1,8% em maio, enquanto o consumo avançou 0,6% ante 0,8% no mês anterior. As bolsas em Nova York tentam resistir. O Dow Jones tem leve queda de 0,09% e a Nasdaq cai 0,86%.  Outro fato importante é que, às vésperas de mais uma reunião do banco central norte-americano (Fed) para definição da taxa de juros, um oitavo banco - First Priority Bank, da Flórida - foi fechado por reguladores federais na Sexta-feira. Logo cedo, o HSBC anunciou queda de 29% no lucro líquido do primeiro semestre, para US$ 7,72 bilhões, citando, entre outros motivos, a fraqueza no setor de varejo nos EUA.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.