Petrobras enfrenta dificuldade para cumprir meta

Última média diária divulgada pela estatal foi de 1,8 milhão de barris diários, 200 mil a menos que o previsto

Kelly Lima, Agencia Estado

19 de outubro de 2007 | 17h14

A Petrobras terá dificuldades para cumprir a perspectiva de atingir a um pico de produção de dois milhões de barris de óleo por dia (bpd) até 31 de dezembro, como vem sendo anunciado pelo seu setor de Exploração e Produção. Este volume é de 200 mil barris acima da última média diária divulgada pela estatal, referente a agosto deste ano, que foi de 1,8 milhão de bpd. Desde então, a Petrobras colocou em operação a unidade de produção do campo de Piranema, no Estado de Sergipe, que hoje produz 10 mil bpd e deve atingir a sua capacidade máxima de 30 mil bpd somente no final de 2008. A estatal também aumentou em 14 mil bpd a produção do campo de Jubarte com um novo sistema de operação de bombeio. Mas a petroleira está na dependência da entrada em operação dentro do prazo esperado de pelo menos três novas plataformas - P-52, P-54 e FPSO Cidade de Vitória - para atingir o aumento esperado na produção. Destinadas ao campo de Roncador, na Bacia de Campos, as duas primeiras terão capacidade total de produzir 180 mil barris de óleo por dia cada uma. Já o FPSO, que vai ser instalado no módulo II do campo de Golfinho, terá capacidade total para 100 mil barris por dia. A expectativa da Petrobras é que, se não houver problemas nos testes ambientais e da Marinha, que estão sendo realizados nas unidades, as três entrem em operação entre o final de outubro e início de novembro. Considerando que nenhuma delas apresente qualquer problema técnico, a perspectiva do mercado é de que juntas atinjam a um pico produção entre 120 mil e 140 mil bpd por dia até o fim de 2007. A Petrobras lembra que o pico da produção de todas essas plataformas só será atingido no segundo semestre de 2008. Outra condicionante para alcançar a meta dos dois milhões é a esperada estabilização da produção da P-50, plataforma considerada o marco da auto-suficiência, já que desde sua instalação em abril de 2006 o País passou a atender a demanda interna com a produção de óleo total da Petrobras. A plataforma, com capacidade para 180 mil barris por dia, apresentou problemas técnicos ao longo do ano e ficou bastante aquém deste volume. Em julho, a estatal chegou a anunciar que os problemas tinham sido resolvidos e a unidade iria chegar ao mês seguinte produzindo 160 mil bpd, e a Petrobras confirma que este volume foi atingido. Fontes do mercado, no entanto, comentam que a estatal estaria com apenas parte deste volume sendo efetivamente produzido. Considerada apenas como uma meta de pico de produção pontual, a estatal conta que este volume pode ser alcançado até o dia 31 de dezembro e se tornar um marco do salto que espera dar nos próximos anos, devendo atingir a média diária de 2,3 milhões de barris já em 2008, 3,4 milhões em 2012 e 4,1 milhões em 2015. Além disso, a entrada em produção das três unidades ainda no final desse ano poderá dar à Petrobras o alívio necessário para retomar seu programa de paradas programadas para manutenção, que está suspenso há cerca de seis meses, segundo fonte da própria empresa, com o objetivo de preservar a auto-suficiência. "Não dá para parar uma unidade sem afetar o atual volume de produção e como estamos muito apertados com relação à demanda interna isso certamente teria impacto", disse a fonte à Agência Estado. Produção de setembro A produção total da Petrobras no mês de setembro foi de 2,276 milhões de barris de óleo equivalente, considerando petróleo, LGN e gás natural. O volume é 0,9% menor do que a média registrada no ano passado e 2,1% menor do que no mês de agosto. Este é o terceiro mês consecutivo de queda na produção de óleo da Petrobras no Brasil. Se comparado ao mês de junho, quando a estatal atingiu ao ser recorde de produção média no país, de 1,827 milhão de bpd, a queda foi de 3,19%. Segundo a estatal, a queda em relação a agosto, equivalente a uma redução de 38 mil barris por dia, foi em função de problemas operacionais ocorridos ao longo do mês nas plataformas dos campos de Barracuda, Caratinga, Espadarte, Marlim e Roncador. Segundo a estatal, "a situação em todos os casos já está normalizada". A produção internacional da Petrobras foi de 128,5 mil barris por dia, ante 124,9 mil em agosto. Na produção internacional houve queda de 9,6% em relação à média de 2006. Já a produção de gás natural no País foi de 42,3 milhões de metros cúbicos por dia, 1,7% abaixo do volume produzido em agosto (43,1 milhões de metros cúbicos por dia) devido, segundo nota da Petrobras, a "flutuações de demanda do mercado".

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