Petrobrás enfrenta greve no Comperj

Protesto tem por objetivo acelerar o pagamento dos 430 demitidos pela empresa Multitek

VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2013 | 02h10

Os funcionários de todos os consórcios das obras do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) decidiram cruzar os braços ontem e hoje, paralisando a construção do empreendimento, em Itaboraí (RJ), informou o Sinticom, que representa os empregados. Estima-se que o Comperj pode custar US$ 18 bilhões.

Procurada, a Petrobrás não confirmou a paralisação das obras do Comperj até o fechamento desta edição. Inicialmente, o sindicato convocou uma manifestação para ontem em frente ao Comperj. A ideia era bloquear o acesso de funcionários contratados diretamente pela Petrobrás ao canteiro de obras, em protesto contra a falta de pagamento da rescisão dos trabalhadores terceirizados demitidos neste mês.

No entanto, segundo Manoel Vaz, presidente do Sinticom, os empregados dos consórcios contratados pela Petrobrás se solidarizaram com a situação e decidiram não entrar nos locais de trabalho. Com isso, o sindicato recomendou a todos que voltassem para suas casas e convocou uma paralisação para hoje.

O protesto tem como principal objetivo acelerar o pagamento das verbas rescisórias dos 430 trabalhadores desligados pela Multitek Engenharia, contratada pela Petrobrás para atuar em duas obras no Comperj. A empresa rescindiu todos os contratos com a estatal no dia 8 e demitiu 1,7 mil empregados no País, no dia 9.

A paralisação também é um protesto contra o Projeto de Lei (PL) 4.330/04, do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO). O projeto propõe a regulamentação da terceirização de atividades em empresas e no serviço público e tem sofrido oposição dos sindicatos. "Unimos o útil ao agradável", disse Vaz.

Hoje, haverá também uma reunião entre representantes do sindicato com o Ministério Público Estadual do Trabalho do Rio para tratar dos trabalhadores demitidos pela Multitek.

Na segunda-feira, um ato de empregados demitidos de obras da Multitek fechou a rodovia RJ-116, que dá acesso ao Comperj. Na ocasião, a Petrobrás informou que a Multitek vinha recebendo seus pagamentos em dia e notificou a decisão de romper os contratos "por motivos financeiros".

A Multitek diz que a responsabilidade do pagamento das rescisões é da Petrobrás, pois, em notificação extrajudicial, cedeu créditos a receber, no valor de R$ 25 milhões, para que a estatal quitasse os débitos trabalhistas dos contratos rescindidos.

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