Petrobras espera queda do petróleo para não reajustar preços

A Petrobras aposta em queda do preço internacional do barril de petróleo nos próximos meses para não precisar reajustar o valor cobrado no país pelo litro do diesel e da gasolina, combustíveis que tem impacto direto na inflação. O presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, também afirmou ontem que a oscilação constante nos preços nos últimos meses não permitia uma análise confiável que indicasse um novo patamar de preços."Se a alta permanecer por muito mais tempo, aí sim teremos que fazer um ajuste de preços. Mas isso não está caracterizado ainda", disse em entrevista após participar da posse do novo presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Odilon Macuzzo. Gabrielli não especificou, entretanto, qual o tempo necessário para que a estatal resolva reajustar seus preços. Ele garantiu que isso não seria num "curto prazo". A redução esperada para o barril ainda este ano, segundo o presidente da estatal, está baseada em pelo menos três aspectos. O primeiro seria o fim do verão americano, que reduz a demanda no mercado consumidor de gasolina, elevando os estoques mundiais.O segundo motivo também teria relação com os Estados Unidos. Segundo Gabrielli, a alta dos juros norte-americanos por fazer migrar o capital antes aplicado na área de petróleo para outros segmentos do mercado financeiro.Já o terceiro motivo, para Gabrielli, é a relativa "estabilidade" geopolítica que vem sendo verificada no Oriente Médio. Questionado sobre a alta de hoje do petróleo, provocada pelo aumento do risco de atentados contra ocidentais na Arábia Saudita e dúvidas sobre a capacidade de produção nos Estados Unidos, Gabrielli considerou o fato como um "caso isolado". RefinariaO presidente da Petrobras descartou a possibilidade de a estatal arrendar a Refinaria de Manguinhos, hoje sob comando do Grupo Peixoto de Castro em parceria com a Repsol YPF. Com a produção suspensa desde a semana passada, Manguinhos tem enfrentado a dificuldade de colocar seu combustível no mercado aos mesmos preços da Petrobras, que não repassou as altas internacionais do barril de petróleo. Manguinhos e a Refinaria Ipiranga são as únicas duas no país que não são administradas pela estatal.Gabrielli afirmou que a Petrobras estuda alternativas para "auxiliar" Manguinhos. A mais provável é inclui-la em seus sistema de exportação. "Estamos estudando a viabilidade técnica e logística para que isso ocorra, por Manguinhos não poder exportar por conta própria devido ao volume reduzido de sua produção", explicou.

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