Petrobrás espera retorno ao etanol no final de maio

Volta do consumidor ao combustível depende do comportamento dos preços neste início de safra da cana

Kelly Lima, da Agência Estado,

29 de abril de 2011 | 18h44

O diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, disse nesta sexta-feira, 29, que a companhia trabalha com um prazo médio entre a última semana de maio e início de junho para que comecem a ser verificados movimentos migratórios de retorno do consumidor da gasolina para o etanol.

"Vai depender muito de como o preço vai se comportar neste início de safra (da cana-de-açúcar), qual vai ser a oferta que vai chegar ao mercado e se o consumidor vai se sentir seguro e disposto para voltar a consumir o etanol", avaliou. Segundo ele, caso isso não ocorra na medida esperada, a "Petrobrás está pronta para importar gasolina novamente". "E isso não é nenhum problema, porque as quantias são pequenas", minimizou o diretor. A estatal importou uma carga total de 1,5 milhão de barris de gasolina em abril e já encomendou mais um milhão de barris para maio, volume equivalente a cerca de cinco dias do consumo nacional.

A necessidade de importação se deve à incapacidade das refinarias nacionais de aumentarem seu ritmo de processamento, já muito próximo do limite. O diretor descartou que haja hoje qualquer ponto de desabastecimento no País. "Todas as cotas que estão sendo solicitadas estão sendo atendidas", afirmou.

Costa não quis comentar o custo desta importação de gasolina para a estatal. A gasolina no mercado internacional está 25% mais cara do que no Brasil, segundo dados do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Isso significa que ao comprar a gasolina no exterior e vender no mercado doméstico a Petrobrás tem prejuízo, além dos impactos em sua balança comercial.

Segundo o diretor do CBIE, Adriano Pires, a companhia já teria deixado de receber entre janeiro e abril deste ano cerca de R$ 1,5 bilhão por não ter repassado a alta internacional do barril de petróleo para o preço da gasolina e do diesel no mercado interno.

A indisponibilidade de gasolina para atender ao crescimento do consumo no mercado interno - motivado principalmente pela migração dos consumidores de etanol - também foi um dos obstáculos que impediu o governo de repetir estratégia já adotada anteriormente para conter a alta nos preços do etanol. Em anos anteriores, o governo federal autorizava uma redução da mistura de anidro na gasolina, dentro da margem dos 20% a 25%, durante a entressafra. Ao inibir o consumo de anidro, sempre possibilitou aumentar a disponibilidade de etanol hidratado, impedindo tanto altas maiores, quanto a migração em massa do consumidor de um para outro combustível.

Ao autorizar em Medida Provisória editada ontem uma alteração na margem do porcentual de mistura - para um mínimo de 18% ante os 20% anterior - o governo sinalizou para os produtores de etanol a urgência na queda dos preços. "Não acreditamos que a redução da mistura venha a ocorrer agora. Isso deixaria a Petrobrás numa situação delicada e não faria sentido num início de safra", comentou o presidente do Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom).

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