Petrobrás está animada para investir no Irã, insinua Amorim

Chanceler brasileiro diz que delegação de empresários irá ao país em março para explorar projetos conjuntos

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

02 de dezembro de 2009 | 15h47

O chanceler Celso Amorim insinua que a Petrobrás estaria "animada" com a possibilidade de investir no Irã. Na terça-feira, em Genebra, Amorim se reuniu com o ministro do Comércio de Teerã, Mehdi Ghazanfari. "Há um grande potencial e relação política entre o Brasil e o Irã é tão boa que o futuro será ótimo", afirmou o iraniano. "Há muitas oportunidades para a Petrobrás", disse.

 

Amorim revelou a jornalistas que, durante a visita na semana passada ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahamadinejad, funcionários da Petrobrás pediram para tirar foto ao lado do líder iraniano. "Os representantes da Petrobrás estavam animados com a visita. Até pediram para tirar foto com Ahmadinejad", disse.

 

Segundo Amorim, uma delegação de empresários seguirá para o Irã em março para explorar projetos conjuntos. Amorim confirmou que um dos interesses é o setor petroquímico. O chanceler garantiu que o governo americano nunca fez pressão sobre o governo brasileiro para evitar que a Petrobrás invista no Irã. Ainda em 2010, a previsão é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faça uma visita à Ahmadinejad.

 

Politicamente, a meta é de não isolar o Irã. Na semana passada, o Brasil se absteve em uma votação de uma resolução na Agência Internacional de Energia Atômica que condenou o Irã por seu programa nuclear. "É importante manter o diálogo", disse Amorim.

 

Para o ministro iraniano, os protestos no Brasil contra a visita de Ahadinejad "não afeta em nada". Segundo ele, o modelo de aproximação entre o Irã e o Brasil será o mesmo que Teerã usará com a Venezuela, onde há inclusive investimentos na área de cimento.

 

Na terça-feira, o Irã pediu concessões ao Brasil em um acordo que o país assinará com outras economias emergentes hoje em Genebra. Teerã não quer ser obrigado a fazer aberturas profundas de seu mercado. "Haverá flexibilizações", garantiu Amorim.

 

Com reservas de 138 bilhões de barris de petróleo, O Irã é a segunda potência mundial no setor e só perde para Arábia Saudita. Mas, sem investimentos em refinaria, a produção não é suficiente nem para abastecer o mercado local de gasolina. O próprio governo admite que precisará de investimentos de US$ 141 bilhões nos próximos dez anos e espera que metade venha de empresas estrangeiras.

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