Petrobrás está desenvolvendo equipamento pioneiro

Separador Submarino Água-Óleo vai agilizar a produção, aumentar a quantidade de óleo e economizar gastos

SERGIO TORRES / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h07

A Petrobrás desenvolveu um equipamento pioneiro que, em operação no fundo do mar a partir do primeiro semestre de 2012, promete agilizar a produção de petróleo e gás, aumentar a quantidade de óleo trazido do subsolo marítimo para ser processado nas plataformas e gerar economia de gastos.

Já patenteado pela estatal, o Separador Submarino Água-Óleo (SSAO) entra em testes este mês. No primeiro semestre do ano que vem, será implantado na plataforma P-37, no Campo de Marlim (Bacia de Campos, litoral do Estado). A Petrobrás não revela o custo do equipamento.

Na captação, o petróleo costuma vir à superfície agregado à água, gás e pequenos teores de areia. No Brasil, a retirada da água misturada ao óleo ocorre na plataforma. Após a separação dos fluídos, a água precisa ser tratada para a reinserção ao ambiente de onde foi extraída. O óleo segue para o continente em dutos e embarcações.

O SSAO mudará essa forma de processamento. Com 407 toneladas, 29 metros de comprimento, 8,5 metros de largura e 8,5 metros de altura, o aparelho tem uma capacidade de vazão correspondente a 22 mil barris por dia (3.500 metros cúbicos diários). A separação acontecerá, assim que o aparelho começar a funcionar, no fundo do mar.

"No cenário conhecido, a capacidade de processamento de líquidos era parcialmente consumida para tratarmos água na superfície. Como virá menos água para a plataforma, vamos receber mais óleo. Vamos trocar água por óleo", afirma o gerente de Engenharia Submarina da Petrobrás, Cezar Augusto Silva Paulo. O aparelho será usado nos chamados campos maduros, em que produção já entrou em declínio provocado pelo esgotamento do óleo na localidade. "Conforme o campo vai ficando maduro, o teor de água tende a aumentar. No início da produção, o teor é bem baixo, às vezes quase nulo. No decorrer dos anos, a produção de água vai aumentando, podendo chegar a 60% ou 70%. Esse cenário fica, então, atrativo para o emprego do SSAO."

Inspiração. O projeto que originou o equipamento nasceu em 2004 na carteira de pesquisa e desenvolvimento da estatal. A inspiração surgiu de aparelhagem operada já há muito anos por petroleiras da Noruega no Mar do Norte. Só que para o funcionamento em águas rasas e no processamento de óleo leve.

Para adaptar o mecanismo às características da produção marítima brasileira criou-se um aparelho novo, inédito na história internacional da extração petrolífera. As principais características nacionais são águas profundas e óleo pesado, com tendência à formação de emulsão, em que a mistura de água e petróleo apresenta dificuldades na separação. De acordo com o gerente de Engenharia Submarina, a tecnologia empregada no Mar do Norte não poderia ser utilizada no litoral brasileiro.

Fabricado na Pavuna e Ilha do Fundão em unidades industriais da FMC - empresa americana especializada em componentes submarinos -, o equipamento está em fase final de produção e montagem. Após a avaliação do desempenho em Marlim, a empresa planeja construir novos aparelhos, revelou o gerente.

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