Petrobrás está preparada para crises, diz diretor

Confiante em uma melhora do cenário financeiro no longo prazo e otimista quanto ao aumento de produção da empresa nos próximos anos para compensar perdas financeiras no atual cenário, o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, afirma que a companhia está preparada para enfrentar a alta do dólar, o atual preço do petróleo e a crise nas bolsas de valores, que derreteram ações mundo afora.

KELLY LIMA / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h08

"Temos um colchão financeiro que suporta crises deste tipo", disse o diretor, amparado em um caixa superior a US$ 30 bilhões disponíveis ontem. Ele admite que os resultados do terceiro trimestre da Petrobrás não deverão ser tão bons quanto os do segundo trimestre, quando houve lucro recorde de R$ 10,94 bilhões, 32% superior ao mesmo período de 2010. "É claro que há impactos", afirmou, emendando, a seguir, que "são mínimos".

Segundo Barbassa, do total da dívida líquida da empresa de R$ 68 bilhões no fim do segundo trimestre, pelo menos 70% estava indexada ao dólar. Mas a maior parte deste volume possui hedge, já que foi feita com base em ativos no exterior. "Se nos endividamos em dólar, também recebemos em dólar. Há um efeito reverso que acaba compensando em parte a perda."

Com relação à balança comercial da companhia, Barbassa vê "efeitos marginais", na medida em que a estatal tem aumentado as exportações, ao passo que precisa também aumentar as importações.

Neste segundo semestre a companhia terá de ampliar o volume importado para atender à demanda interna de gasolina, enquanto aumenta o volume exportado por causa do aumento na produção e alcance do limite da capacidade nas refinarias. O diretor pondera que "o efeito líquido não é tão negativo na contabilidade final da empresa".

Barbassa destaca que o efeito cambial em parte poderá ser compensado por uma retração do preço do barril de petróleo verificada esta semana, em torno de US$ 5. Há também, segundo ele, um menor pagamento de participações especiais sobre a extração de petróleo, por causa da redução deste valor do barril.

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