Petrobrás estuda vender navios para fazer caixa

Estatal pode negociar23 barcos por cerca de US$ 270 milhões econtinuar usando osbarcos pagando aluguel

Fernanda Nunes, Antônio Pita, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2015 | 02h01

Em seu plano de venda de ativos para fazer caixa, a Petrobrás considera negociar navios transportadores de petróleo e combustíveis da Transpetro. Essa possibilidade chegou a ser apresentada ao presidente da Transpetro, Claudio Campos, mas ainda não foi definida. O modelo prevê que a estatal continue utilizando as embarcações em contrato de aluguel - algo semelhante ao formato adotado pela Vale, sob o comando de Murilo Ferreira, também presidente do conselho de administração da Petrobrás. A análise dos ativos inclui cerca de 23 embarcações, com valor estimado em US$ 270 milhões.

Qualquer decisão de venda envolvendo a Transpetro sairá da Petrobrás, segundo Claudio Campos. A avaliação é que o corte poderia atingir até mesmo o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), responsável pela retomada do setor naval. A ideia é que não há justificativa para vender embarcações e construir outras ao mesmo tempo.

Modelo da Vale. O plano inclui a cobrança de um prêmio sobre o preço pago à Petrobrás como forma de garantir ao comprador um contrato de afretamento das embarcações. Em vez de proprietária dos navios, a estatal se tornaria contratante do serviço de transporte. O modelo foi adotado pela Vale em abril, na venda de quatro navios para a Cosco por US$ 445 milhões e contrato de afretamento por 25 anos.

Um estudo preliminar estimava que a venda de embarcações da Transpetro poderia gerar até US$ 270 milhões. Os 23 navios representam menos da metade da frota de 53 embarcações. Entre os itens listados, estão embarcações novas e navios antigos ou recém reformados, com pouco valor de mercado. As embarcações mais atrativas são Ataulfo Alves e Cartola, incorporados à frota em 2001, com valor orçado em US$ 78 milhões cada - cerca de dez vezes a média dos demais ativos.

Entre os demais navios indicados para venda, 12 foram orçados em US$ 7 milhões. Alguns mais antigos foram orçados em US$ 3,5 milhões, após terem passado por recentes conversões de cascos, para atender às demandas da Petrobrás. Também constam dois navios, o Guaporé e Guarujá, avaliados em US$ 2 milhões, considerado um valor de "sucata".

Questionada sobre as negociações, a Transpetro informou que o programa de modernização da frota segue "curso normal", com 14 navios em "diferentes fases de construção, sendo 7 no estágio de acabamentos". A empresa informou que a Petrobrás está revisando seu plano de negócios e "não procede qualquer informação sobre venda de navios".

A Petrobrás esperava concluir a revisão do plano neste mês, mas já considera deixar o anúncio para julho.

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