Petrobras estuda mudanças no fornecimento de gás da Bolívia

A Petrobras está negociando com o governo da Bolívia mudanças no contrato de fornecimento de gás natural ao Brasil, por meio do gasoduto Brasil-Bolívia. O objetivo é reduzir o preço no mercado interno, para com isso estimular o consumo. A principal novidade seria o fim do pagamento compulsório pelo produto, no mecanismo conhecido por Take or Pay. Atualmente, por cláusulas contratuais, o País paga por uma quantidade fixa de gás, ainda que não o consuma.Amanhã e quinta-feira, a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, participa em La Paz, Bolívia, da 4ª reunião da comissão mista Brasil-Bolívia sobre energia, Dilma Rousseff dará continuidade aaos entendimentos com o governo boliviano sobre o relacionamento energético bilateral.Segundo o presidente da estatal, José Eduardo Dutra, como a demanda do gás está abaixo do previsto, o mecanismo "Take or Pay" encarece o produto no mercado brasileiro, o que inibe o crescimento da demanda interna. "Estamos discutindo isso com os bolivianos e acreditamos que eles serão sensíveis aos nossos argumentos", disse.A argumentação é que, se o preço do gás no mercado interno ficar mais barato, o consumo vai aumentar naturalmente e com isso se alcançaria o volume de venda de gás esperado pelos bolivianos. Dutra explica que a renegociação do contrato já estava prevista para esse período, no acordo entre os dois países. Paralelamente às negociações com os bolivianos, Dutra adianta que a estatal vai reduzir seus investimentos em termelétricas a gás.Em relação aos investimentos da estatal, Dutra admite apenas que serão gastos mais do que foi dispendido no ano passado, que somou US$ 6 bilhões. Ele não revela quanto deverá ser investido, pois ainda depende de aprovação do conselho de administração da estatal, que se reunirá na segunda semana de abril. Segundo fontes do setor, a empresa precisa investir anualmente em produção de petróleo pelo menos R$ 8 bilhões para manter o volume atual.GLPDutra considera também um "absurdo" a atual margem de lucro das distribuidoras de gás de cozinha (GLP) no País. "Um terço do preço do gás ao consumidor é a margem das empresas", disse Dutra. "Isso é um absurdo e não existe em lugar nenhum do mundo."Na semana passada, a equipe econômica deixou vazar informações de que estaria querendo dar um basta nos aumentos exagerados do preço do gás de cozinha no País. O caminho para punir os responsáveis seria os órgãos de defesa do consumidor, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Nos últimos anos, o preço do produto subiu mais de 500% para o cliente final.

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