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Petrobrás faz exigências à Sete Brasil para acordo

Estatal quer que a empresa apresente plano de reestruturação e estratégia de produção, enquanto isso, sem caixa, ganha tempo

Fernanda Nunes e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2015 | 02h03

RIO - Deve partir da Sete Brasil o próximo passo para que avance a negociação com a Petrobrás em torno da construção e operação de 15 sondas de perfuração, segundo fonte envolvida nas conversas. A petroleira exigiu da empresa a apresentação de um plano de reestruturação interna com informações detalhadas sobre como vai dar conta dos equipamentos que serão usados na exploração do pré-sal. Antes disso, se nega a fechar qualquer acordo.

A Petrobrás quer que a empresa apresente soluções para cinco questões: a composição societária das empresas que vão ser formadas para responder pelas ondas; como estão as negociações com cada um dos estaleiros onde estão sendo construídas as embarcações; o calendário das obras; os prazos e as condições de desembolsos aos estaleiros; e o número de sondas que vai assumir. A reestruturação da Sete Brasil é discutida há meses, mas, pela primeira vez, passou a ser condição prioritária para que o acordo com a Petrobrás seja concluído.

A Sete Brasil estima um prazo de dois meses para finalmente assinar o contrato com a estatal. Mas a petroleira não é tão otimista, porque considera o momento adverso para algumas das empresas parceiras da Sete Brasil, que estão sendo investigadas na Operação Lava Jato e, desde que foram envolvidas nas denúncias, passam por dificuldades financeiras.

Algumas delas devem deixar o negócio, o que vai exigir da Sete Brasil a costura de um novo arranjo societário. Para a Petrobrás, a demora não é ruim. Sem dinheiro em caixa e convivendo com cenário de preço do petróleo em baixa, muitos dos seus projetos foram adiados, para aguardar momentos mais propícios ao investimento.

Conteúdo Brasil. Hoje, valeria mais para a Petrobrás afretar sondas no exterior do que pagar pelas embarcações da Sete Brasil. Com o desaquecimento do mercado de petróleo no mundo todo, as tarifas de afretamento de sondas caíram. Ainda assim, a petroleira está amarrada pela obrigação de contratar um porcentual mínimo de bens no Brasil, mesmo que as condições internas não sejam as melhores. Por isso, o melhor que pode acontecer para companhia é estender as negociações e ganhar tempo para recompor o caixa.

A percepção na Petrobrás é que a prisão do ex-presidente do banco BTG Pactual André Esteves vai dificultar a reestruturação da Sete Brasil e interferir no prazo de conclusão do acordo.

Esteves foi preso a mando do Supremo Tribunal Federal (STF) por supostamente tentar prejudicar as investigações da Polícia Federal, na Lava Jato. O BTG é o maior acionista da Sete Brasil, com pouco menos de 30% de participação, ao lado da estatal e também de fundos de pensão.

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