Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Petrobrás fecha 2015 com prejuízo recorde de R$ 34,8 bilhões

Baixa do petróleo e perda de grau de investimento do Brasil fizeram a estatal reavaliar ativos e realizar uma baixa contábil de R$ 49,748 bilhões no ano passado

Gabriela Mello, André Magnabosco, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2016 | 18h25

Após ter registrado prejuízo recorde de R$ 21,587 bilhões em 2014, a Petrobrás voltou ao vermelho no ano passado. A estatal anunciou nesta segunda-feira, 21, um prejuízo líquido de R$ 34,836 bilhões em 2015, montante 61% ainda mais adverso do que o acumulado no ano anterior. Esta é apenas a segunda vez desde o início do século que a estatal reporta prejuízo anual.

O resultado de 2015 teve origem no prejuízo líquido de R$ 36,938 bilhões acumulado entre outubro e dezembro, montante 38,9% pior do que o prejuízo de R$ 26,6 bilhões reportado no quarto trimestre de 2014.

Além disso, a Petrobrás informou que o balanço anual foi impactado por ajustes nos ativos imobilizados, processo conhecido como impairment, no total de R$ 49,748 bilhões. A Petrobrás informa que o ajuste de impairment tem origem no declínio dos preços do petróleo e no aumento das taxas de desconto, reflexo do aumento do risco Brasil pela perda do grau de investimento. O resultado de 2014 também havia sido impactado por fatores considerados extraordinários.

A estatal teria registrado lucro líquido de R$ 13,6 bilhões, não fosse a necessidade de registrar baixa contábil de ativos e investimento, além das perdas ocasionadas pela valorização do dólar frente ao real, que teve efeito direto nas finanças da companhia, segundo o gerente-executivo de desempenho empresarial da estatal, Mário Jorge da Silva.

O prejuízo anual é explicado por uma combinação de fatores e corrobora o momento difícil enfrentado pela estatal desde 2014, quando tiveram início as investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato. O balanço de 2015 foi pressionado por perdas bilionárias na linha financeira, resultado da variação cambial e pela queda abrupta na cotação internacional do petróleo. 

A redução da demanda por combustíveis no mercado doméstico, acréscimo em despesas tributárias e maiores despesas com contingências judiciais também pesaram no ano.

 

Exploração. A desvalorização do petróleo registrada no decorrer de 2015 ocasionou uma reversão de tendências dentro da estatal. A área de Exploração & Produção (E&P), tradicionalmente lucrativa, amargou prejuízo no ano passado. Já a área de Abastecimento, que acumulava prejuízos consecutivos, voltou a operar no azul. Tudo porque a queda do petróleo torna a importação de gasolina e diesel menos onerosa para a Petrobrás. Além disso, a estatal aplicou dois reajustes anuais nos dois combustíveis entre o final de 2014 e setembro do ano passado.

A área de E&P teve prejuízo de R$ 12,963 bilhões em 2015, revertendo o lucro de R$ 32,008 bilhões acumulado em 2014. No quarto trimestre, o resultado ficou negativo em R$ 24,567 bilhões, contra um lucro de R$ 1,299 bilhão entre outubro e dezembro de 2014.

Geração de caixa. O material de divulgação referente ao quarto trimestre de 2015 aponta que o Ebitda ajustado anual (uma medida de geração de caixa) atingiu R$ 73,859 bilhões, expansão de 25% em relação ao ano anterior. A receita líquida anual, por sua vez, totalizou R$ 321,638 bilhões, queda de 5% em relação a 2014.

O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 28,041 bilhões em 2015, montante 619% ainda mais adverso do que os R$ 3,900 bilhões acumulados no ano anterior. O indicador financeiro poderia apresentar despesa financeira líquida maior não fosse a adoção da contabilidade de hedge, uma prática contábil que ameniza o impacto cambial, e consequentemente financeiro, sobre as demonstrações de resultado da empresa.

Apesar disso, a Petrobrás informou uma perda cambial de R$ 9,240 bilhões em 2015 decorrente da depreciação de 47% do real sobre a exposição passiva média líquida em dólar, já considerados os efeitos do hedge accounting. Em 2014, a depreciação cambial foi de 13,4%. Além disso, a estatal teve perda cambial de R$ 2,100 bilhões decorrente da depreciação de 31,7% do real sobre a exposição passiva líquida em euro (depreciação cambial de 0,02% no exercício de 2014). No total, a perda cambial atingiu R$ 11,340 bilhões.

Trimestre. A Petrobrás reportou prejuízo líquido de R$ 36,938 bilhões entre outubro e dezembro de 2015, montante 38,9% abaixo do prejuízo de R$ 26,60 bilhões acumulado no mesmo intervalo do ano anterior. O Ebitda ajustado trimestral somou R$ 17,064 bilhões, queda de 14,9% sobre 2014. Já a receita líquida acumulada de outubro a dezembro totalizou R$ 85,103 bilhões, praticamente estável em igual base comparativa.

O balanço do quarto trimestre foi impactado principalmente pelo efeito do impairment, informou a companhia. Nos últimos três meses de 2015, essas despesas atingiram R$ 46,390 bilhões. (Com Fernanda Nunes e Mariana Sallowicz)

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