Petrobrás fecha acordo de R$ 2 bi com Guarani

Acordo, que aumenta a sinergia entre as duas empresas, prevê que 80% do etanol produzido nas usinas da Guarani irão para a BR Distribuidora

Eduardo Magossi, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2010 | 00h00

Açúcar Guarani está ampliando as sinergias com o sistema Petrobrás por meio de um contrato de venda de 2,2 bilhões de litros com a BR Distribuidora a serem entregues em um período de quatro anos.

A Petrobrás possui 45,7% da Guarani, que é sócia da Tereos Internacional no grupo de usinas. A entrega do combustível será feita a partir de valor de mercado, que hoje seria de R$ 2,1 bilhões.

Segundo o presidente da Guarani, Jacyr Costa Filho, a venda para a BR equivale a 80% da produção atual de etanol das usinas da Guarani, que atingiu 800 milhões de litros na safra 2010/11. "Estamos ampliando o acordo feito quando a Petrobrás comprou parte da Guarani, em abril de 2010, que previa apenas a venda de 50% do etanol produzido", disse o executivo.

O novo contrato visa a obtenção de sinergia entre as duas empresas. A avaliação inicial é de que as sinergias gerem ganhos de R$ 7 milhões por meio de maior flexibilidade comercial e também de melhores condições logísticas. "Este acordo dá continuidade ao processo de aproximação da Guarani do sistema Petrobrás, em uma intensidade maior do que se imaginava inicialmente", disse o presidente da empresa, que não descarta novas negociações no futuro para ampliar a sinergia entre Guarani e sistema Petrobrás.

Costa disse também que o acordo entra em vigor agora, na safra atual 2010/11, e que não serão necessários investimentos expressivos para sua operacionalização.

Expansão do etanol. Na safra 2009/10, a Guarani processou 17,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, das quais 60% foram direcionados para a produção de açúcar e 40% para etanol. Com a entrada da Petrobrás na empresa, a estratégia é expandir mais a produção do etanol, chegando a um mix de 50% de etanol e 50% de açúcar. Pelo acordo fechado em abril, a Petrobrás deverá investir cerca de R$ 1,6 bilhão na Guarani, dos quais R$ 682 milhões já foram investidos.

O primeiro fruto desta associação foi registrado em junho, quando a Guarani adquiriu a Usina Mandú por R$ 345 milhões mais uma dívida de R$ 255 milhões. O perfil de produção da Mandú se enquadra na estratégia da empresa de elevar a produção de etanol. Na Mandú, 60% da cana é utilizada para a produção deste combustível e 40% para a de açúcar.

A Mandú localiza-se em Guaíra, no noroeste paulista, região na qual a produtividade da cana é superior à média brasileira, e onde também estão localizadas todas as seis usinas da Guarani: São José, Cruz Alta, Tanabi, Severínia, Andrade e Vertente (nesta, a Guarani possui 50% do capital). Todas as usinas da Guarani devem produzir, na atual safra 2010/11, que termina em março de 2011, cerca de 20,7 milhões de toneladas de cana.

Produção

17,8 mi

de toneladas de cana-de-açúcar foram processadas pela Guarani na safra 2009/2010. Desse total, 60% foram direcionados para a produção de açúcar e, o restante, para a produção de etanol

R$ 1,6 bi

é o total que deve ser investido pela Petrobrás na Açúcar Guarani, pelos termos do acordo fechado este ano. Desse total, R$ 682 milhões já foram investidos

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