Sérgio Moraes/Reuters
Sérgio Moraes/Reuters

Petrobrás fecha o segundo trimestre com prejuízo de R$ 2,7 bilhões

Queda no preço do petróleo e efeitos da pandemia causaram resultado no 2º trimestre; analistas chegaram a prever perda de R$ 12,6 bi

Fernanda Nunes, Denise Luna e Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2020 | 18h54
Atualizado 28 de outubro de 2020 | 18h18

RIO E SÃO PAULO - A queda brusca do preço do petróleo e o impacto da pandemia sobre as vendas de combustíveis levaram a Petrobrás a amargar um prejuízo de R$ 2,71 bilhões no segundo trimestre deste ano. Ainda assim, o resultado foi 94,4%melhor do que o do trimestre anterior, quando a empresa reduziu o valor de uma série de ativos já de olho na crise.

O resultado surpreendeu os analistas, que esperavam números piores do que os registrados pela companhia. Pela projeção de quatro bancos e corretoras ouvidas pelo Estadão/Broadcast, o prejuízo seria de R$ 12,6 bilhões de abril a junho deste ano.

Em carta ao mercado, o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco destacou o peso da queda da cotação do petróleo nas contas da empresa, que, em sua opinião, exerceu “efeito similar ao de um ataque cardíaco”.“Tal qual numa guerra, a escala e velocidade sem precedentes da pandemia global nos compeliu a agir rapidamente, já que sabemos que crises severas produzem vencedores e perdedores e os vencedores tendem a ser aqueles que respondem rapidamente”, afirmou o executivo.

A estratégia da gestão foi cortar mais de R$ 2 bilhões dos custos, grande parcela com a retração do número de empregados, que aderiram ao plano de demissão voluntária (PDV). Além disso, foram postergados desembolsos com bônus e salários de executivos. Enquanto os funcionários da área operacional que não ocupam cargos de chefia tiveram a jornada e remunerações reduzidas e não serão compensadas no futuro.

O que mais afetou o resultado do trimestre foi a retração do mercado interno de combustíveis. A receita de vendas caiu 32,6% ante o período de janeiro a março, alcançando a marca de R$ 50,89 bilhões. O pior momento foi o mês de abril.

Nos meses seguintes de maio e junho, de acordo com a companhia, houve alguma recuperação. O conjunto dos derivados responderam por uma queda de receita de R$ 25 bilhões na passagem dos trimestres. “Grande parte disso é explicado pela retração do mercado interno de óleo diesel e querosene de aviação (QAV), que juntos representaram uma perda de R$ 8 bilhões.

Exportações

Considerando as exportações de petróleo e derivado, a queda foi de R$ 10 bilhões, a maior parte de óleo cru”, destacou o coordenador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás (Ineep), Rodrigo Leão. O resultado só não foi pior por conta do gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha. Com a população em quarentena em casa, o consumo cresceu a ponto de a estatal ter que recorrera fornecedores externos. 

Com menos dinheiro entrando no caixa, ficou mais difícil para a petrolífera atingir a meta de chegar ao fim do ano com dívida bruta de US$87 bilhões. Do fim de março até 30 de junho, a estatal ficou US$ 2 bilhões mais endividada, tendo alcançado compromisso de US$ 91,2 bilhões. 

Para fazer caixa, a empresa vai seguir com o seu programa de venda de ativos. A primeira grande privatização no radar é a da refinaria Rlam, na Bahia. Em seguida, a estatal deve se desfazer da Repar, no Paraná. Outras seis ainda vão ser vendidas até o fim do primeiro trimestre do ano que vem.

Ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e professor do Grupo de Economia da Energia (GEE) da UFRJ, Helder Queiroz destacou o crescimento das exportações de óleo bruto, 87% dela para a China. “Com a redução da demanda e, consequentemente das vendas de derivados, foi possível ampliar as exportações. Ainda que o valor exportado tenha sido inferior ao do primeiro trimestre (-39%), devido à queda dos preços internacionais, é importante notar que, se considerarmos os semestres deste e do ano passado as exportações cresceram 32%”, afirmou.

A empresa disse ter conseguido reduzir o prejuízo principalmente “devido à ausência de impairments (baixas contábeis) no trimestre e ao ganho proveniente da exclusão doICMS da base de cálculo do PIS/Cofins após decisão judicial favorável, que teve um efeito de R$ 10,9 bilhões no resultado”, disse a empresa.

O resultado da Petrobrás confirmou o forte impacto da pandemia de covid-19 no período avaliou o analista da Mirae Asset, Pedro Galdi. “A pandemia e o isolamento geraram uma redução de demanda sem comparação de combustíveis, principalmente gasolina e querosene de aviação, o que fez sua receita líquida se posicionar em R$ 51 bilhões, uma queda de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior”, disse Galdi.

 

Tudo o que sabemos sobre:
Petrobrás

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.