Geraldo Falcão/Estadão
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Petrobrás fecha o terceiro trimestre com prejuízo de R$ 1,5 bilhão

Cenário na indústria do petróleo melhorou, mas não o suficiente para evitar perda; queda bilionária do período, porém, é 43% menor do que a do trimestre anterior, de R$ 2,7 bilhões

Denise Luna e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2020 | 19h50
Atualizado 28 de outubro de 2020 | 23h25

RIO - O cenário na indústria do petróleo melhorou, mas não o suficiente para evitar que a estatal petrolífera Petrobrás registrasse prejuízo de R$ 1,54 bilhões no terceiro trimestre deste ano. De julho a setembro, a produção da petrolífera estatal subiu. O consumo interno também deu sinais de recuperação e, cada vez mais, as refinarias brasileiras estão sendo acionadas para produzir derivados, como gasolina e óleo diesel, e substituir importações. 

Despesas que não acontecem com frequência, no entanto, não ajudaram o balanço da companhia, o que levou a estatal a completar nove meses com resultado negativo de R$ 52,8 bilhões. Sem essas despesas extraordinárias, a petroleira afirma que teria fechado período de julho a setembro com lucro de R$ 3,2 bilhões.

A perda bilionária do terceiro trimestre, porém, é 43% menor do que a do trimestre anterior, que foi de R$ 2,7 bilhões. No período de abril a junho, as contas do negócio tinham sido fortemente afetadas pelas quedas bruscas da cotação da commodity e da demanda por combustíveis, por conta da pandemia de covid-19. Em um determinado momento, as cotações chegaram a ser negativas. 

Entre julho e setembro, o que pesou de fato foi a adesão a programas de anistia tributária e um prêmio pago na recompra de títulos, o que custou R$ 4,7 bilhões. Não fosse isso, o lucro líquido teria sido de R$ 3,2 bilhões e a geração de caixa, de R$ 37,3 bilhões.

Desafios à frente

“Apesar das restrições impostas pela pandemia e pelo ambiente incerto, nosso desempenho operacional e financeiro melhorou”, afirmou o presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, na carta de apresentação do resultado financeiro aos investidores. Ele acrescentou, contudo, que “há desafios difíceis à frente”.

Analistas de bancos e corretoras já esperavam o prejuízo. Segundo projeção do Estadão/Broadcast, que consultou quatro casas de análise (Credit Suisse, XP Investimentos, Itaú BBA e Bradesco BBI), a perda seria de R$ 1,5 bilhão. Todas as instituições financeiras elogiaram, no entanto, os resultados operacionais divulgados previamente pela companhia.

O mercado tinha conhecimento de que a produção de derivados de petróleo, principalmente, está crescendo e que, para isso, a empresa tem acessado mais suas refinarias e limitado o espaço de importadores, hoje seus principais concorrentes no abastecimento interno de combustíveis automotivos. A produção de petróleo nas águas ultraprofundas do pré-sal também continua avançando.

Relatório de produção e vendas divulgado pela Petrobrás no último dia 21 revelou que a extração de óleo subiu 5,4%, enquanto a fabricação e as vendas de derivados subiram mais de 17%, do segundo para o terceiro trimestre.

“Em termos operacionais, a Petrobrás conseguiu aumentar a produção de petróleo, num cenário em que está todo mundo cortando. Isso porque exportou mais petróleo cru e porque suas refinarias demandaram mais petróleo, o que contribuiu para que aumentasse sua participação no abastecimento interno de combustíveis e ainda vendesse mais derivados para outros países”, destacou Rodrigo Leão, coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep).

Faturamento

Ao produzir e vender mais petróleo e derivados, a receita da Petrobrás, de R$ 70,3 bilhões, cresceu 39% ante o trimestre anterior. Já o endividamento da companhia caiu para US$ 66,21 bilhões. Isso porque a empresa antecipou o pagamento de todas as linhas de crédito compromissadas adquiridas no exterior, no auge da crise da covid-19, no valor de US$ 7,6 bilhões. “Esses recursos estão novamente disponíveis para saques, se necessário”, informa o relatório.

“A empresa já superou o pior da crise ocasionada pela pandemia no primeiro semestre. A reversão do prejuízo nos próximos trimestres dependerá basicamente da evolução do preço do petróleo”, afirmou Edmar Almeida, especialista na área e professor da PUC-Rio. / COLABOROU WAGNER GOMES

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