Petrobras financiará distribuição de água em Itaboraí

A Petrobras vai financiar a construção de redes de distribuição de água na região de Itaboraí, onde a estatal do petróleo construirá uma nova refinaria, segundo o presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), Wagner Victer.Em apresentação do plano de reconstrução da Cedae à Câmara de Comércio Americana (Amcham), Victer disse que ele próprio, que na época da escolha do local para a refinaria era secretário estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo, alertou a empresa de que "naquela região de Itaboraí e São Gonçalo não tem água". A Petrobras, então, de acordo com ele, dispôs-se a providenciar água.Se a companhia de petróleo não ajudar na implantação da rede de água, Victer prevê que "vamos ter o maior desastre ambiental da história do Rio de Janeiro" porque se espera que muitas pessoas passem a trabalhar e residir na região, que deve atrair outras empresas também. De acordo com ele, o custo para a distribuição de água é baixo em relação ao da implantação da refinaria. "Isso é ´peanuts´ no investimento total", disse.Saneamento e mercado de capitaisAtualmente deficitária e em estado caótico, a Cedae será saneada e quer ter acesso ao mercado de capitais futuramente. "Não descartamos nenhuma hipótese de acesso ao mercado de capitais. Pode ser abertura de capital, (emissão de) debêntures, captação internacional...", disse Victer em entrevista coletiva. De acordo com ele, o saneamento da empresa deve levar quatro anos, mas para levar a Cedae ao mercado de capitais "não precisa necessariamente esperar quatro anos". Ele explicou que acredita que a confiança do investidor na empresa surgirá antes do final do governo.A companhia teve um resultado líquido negativo em R$ 245 milhões no ano passado e este ano terá só R$ 50 milhões para investir vindos dos cofres do governo do Estado. Mas os problemas da empresa vão muito além disso. "Vamos reconstruir a Cedae, que foi destruída nos 30 últimos anos", disse ao apresentar o plano estratégico que encomendou à Fundação Getúlio Vargas (FGV).As perdas chegam a 70% do fornecimento de água. Ou seja, a Cedae só recebe por 30% da água que distribui. No início do ano, ainda constava no cadastro de clientes da empresa o Tivoli Parque da Lagoa, fechado há mais de 10 anos. A Cedae faturava o fornecimento de água para lá e recolhia tributos sobre isso.Há casos de ações milionárias perdidas na Justiça porque o escritório de advocacia contratado pela companhia perdeu o prazo. A empresa tem 140 cargos e nenhum plano de carreira. "Se fosse um restaurante, teria um garçom só para servir guaraná, outro só para Fanta e outro só para Pepsi", comparou Victer.O presidente da companhia listou medidas como a atualização do cadastro; uma grande operação de renegociação de dívidas de clientes com a Cedae e uma operação de caça às fraudes contra os clientes com mais recursos que não pagam água como condomínios de luxo e motéis.A empresa também contratou uma consultoria para elaborar um plano de carreira para os funcionários e denunciou dos advogados que perderam prazo à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outras providências.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.