Petrobras ganha R$ 1,2 bi ao manter preço dos combustíveis

A Petrobras obteve ganhos de R$ 1,2 bilhão desde 1º de maio ? data do último reajuste (para baixo) dos preços dos combustíveis ?, ao não transferir para os preços domésticos da gasolina e do diesel a queda das cotações internacionais do petróleo e a diferença da taxa do câmbio. O cálculo é de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), que define esses ganhos como "lucros do monopólio". "A Petrobras evitou transferir a queda dos preços da commodity para contribuir para que o governo cumprisse as metas de superávit primário de 4,5%", disse.Segundo ele, atualmente o preço doméstico da gasolina está acima do praticado no exterior, enquanto o óleo diesel ainda apresenta um nível 20% abaixo do praticado no mercado internacional. Segundo ele, em relação ao nível praticado em 1º de maio, quando houve uma redução de 6,5% dos preços da gasolina na refinaria, as cotações internacionais apresentam, hoje, um aumento de cerca de 20%. "Nesse meio tempo, houve quedas dos preços que deixaram de ser repassadas para o consumidor", disse ele.Pires lembrou ainda que, desde o início da guerra do Iraque, em março, os preços internacionais do petróleo despencaram 30%. Simultaneamente, o dólar caiu de um patamar de R$ 3,48 para R$ 2,87 em média. "O não repasse dessa queda faz com que não exista uma política clara para os combustíveis, o que afeta inclusive a disposição de outros agentes de importarem combustíveis", disse Pires. Ele lembrou ainda que a política do governo para a área de combustíveis diverge da adotada para os segmentos de telefonia e energia, em que se busca a modicidade tarifária.

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