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Sonia Racy
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Petrobrás garante: não vai faltar gás para as termoelétricas

José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás, não admite que o leilão das térmicas a gás fracassou semana passada. Acredita, apenas, que a energia a óleo se mostrou mais competitiva. E garante que, no que depender da Petrobrás, não vai faltar matéria-prima para as termoelétricas. A estatal, segundo ele, tem plenas condições de cumprir o cronograma de entrega estabelecido pelo programa de energia do governo Lula até 2030.Gabrielli, aliás, acredita que há uma crescente compreensão, pelo sistema elétrico brasileiro, de que, no caso da energia hidráulica, a matéria-prima não é muito relevante. "Já no caso da energia termoelétrica a gás, a matéria-prima é fundamental. Logo, não dá para tratar a matéria-prima de uma e de outra da mesma forma. No caso do regime hidrelétrico, o custo do investimento é muito mais relevante do que o custo operacional; no regime termoelétrico, o custo operacional é tão ou mais relevante que o custo de investimento, então isso faz com que a regulação brasileira tenha que começar a se adaptar a essa realidade."Aqui, trechos da sua entrevista: O leilão de térmicas a gás semana passada fracassou. Não apareceram interessados. Investidores colocam a culpa na Petrobrás, que não garante preço quando eles têm que garantir. A Petrobrás é culpada? Não concordo com seu pressuposto de fracasso do leilão. O leilão visou a atender à demanda adicional das distribuidoras de energia elétrica, prevista para 2010, por meio da contratação de energia hidráulica e termoelétrica, a óleo combustível, gás natural ou biomassa, e seu objetivo foi plenamente alcançado. Toda a demanda prevista foi contratada e será atendida integralmente por usinas a óleo combustível, que se mostraram mais competitivas.Mas não saiu uma só termoelétrica a gás. Por que a Petrobrás não quer garantir preço? O que aconteceu em relação à Petrobrás é que não podemos cobrir riscos inerentes ao descasamento de datas na operação de importação do GNL, o que acabou gerando preços menos competitivos em relação ao óleo combustível. Uma nova regulamentação, adequada às características de programação do GNL, está sendo estudada por vários organismos, sob coordenação do Ministério de Minas e Energia, para tornar a geração a gás natural mais competitiva.Como a Petrobrás pode ajudar na atração de investidores, evitando falta de energia no futuro? A Petrobrás já está contribuindo ao investir mais de US$ 22 bilhões nos próximos quatro anos para expandir a produção nacional de gás, a importação de GNL, a infra-estrutura de transporte e a expansão do mercado.A Petrobrás não poderia, ela mesma, assumir o risco e construir térmicas a gás? O parque termoelétrico da Petrobrás já representa a terceira maior capacidade de geração elétrica do País.Qual é o maior problema do gás brasileiro para o futuro? Primeiro, vamos analisar a demanda. No Brasil, grande parte dessa demanda é contingencial. Ou seja, é uma demanda que não se pode dizer que vai existir com certeza, porque vai depender do sistema hidrelétrico. O despacho das termoelétricas depende da existência ou não de água acumulada. Sob o controle do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o despacho da termoelétrica é feito na medida em que o risco cresce. Ou seja, na medida em que a possibilidade de faltar energia aumenta. Você despacha hoje dependendo da expectativa que você tem do que vai acontecer daqui a dois anos. A Petrobrás hoje projeta, por segurança, 100% de despacho, 100% do tempo, o que é improvável que aconteça. A chamada Lei do Gás influencia isso em algum momento? A Lei do Gás cria um ambiente regulatório que, a nosso ver, pode vir ou não a estimular novos investimentos. Nossa visão é que o mercado de gás brasileiro é um mercado de indústria nascente e, como tal, precisa cuidar para que os investimentos se intensifiquem. E os investimentos se intensificam se você tiver regras que estabeleçam condições para que quem queira assumir riscos ganhe com esse risco. Estamos investindo quase US$ 22 bilhões na área de gás até 2011, estamos planejando construir 4.600 km de novos gasodutos até 2009, o que é um programa de investimento arrojado. E estamos fazendo isso assumindo totalmente o risco. Essa é a nossa diferença. Agora, nenhum país do mundo começou incentivando a competição. A competição vem depois que a infra-estrutura está montada, os investidores que montaram o esqueleto dessa infra-estrutura se remuneram durante certo tempo e, a partir daí, passam a estimular a competição. A Petrobrás não tem o monopólio do gás legalmente. Mas, de fato, ela tem? Somos a empresa da área do gás no Brasil que mais investiu e, conseqüentemente, a que mais perdeu. Durante muitos anos, pagamos gás que não foi utilizado, vindo da Bolívia, porque assim exigia o contrato.Hoje, quanto a Petrobrás tem investido fora do Brasil?Temos cerca de US$ 87 bilhões fora do Brasil. Líbia, Nigéria, Moçambique, Peru, Equador, Venezuela, Portugal, Turquia, Paquistão, entre outros. Nosso maior investimento é nos EUA. Temos hoje 300 blocos no Novo México, só em atividade de exploração. No caso das vendas, temos outro tipo de backup.Como o senhor vê a Petrobrás daqui a cinqüenta anos? Olha, estamos fechando nossos planos até 2020. E aí vemos a Petrobrás como uma empresa de energia, atuando em vários segmentos. Embora o petróleo continuará sendo importante, gás, etanol e energias alternativas também. Vamos estar concentrados na produção de biocombustível, todos eles, o mercado mundial deve crescer para esse lado. Não exatamente para substituir o petróleo, pois acho que o petróleo não vai acabar por falta física. A era do petróleo pode acabar, se aparecerem alternativas energéticas economicamente sustentáveis, menos poluentes, mais baratas.

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